segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cap. 13 Hs



— Para uma mulher, estar apaixonada é como estar viva. Mas para um homem é um desastre, pois é a única coisa na vida para a qual não fomos treinados.
— O que você sabe sobre isso? — ela riu. — Nunca ficou com a mesma mulher o tempo suficiente para se apaixonar.
— Tempo! Que bobagem! Quando a pessoa certa aparece, um minuto é suficiente para a gente se apaixonar. Um segundo! — Uma sombra passou por seus olhos escuros. — Acredite em mim, porque já estive nessa situação.  Só que não fui inteligente o bastante para sair.
Olhou-o surpresa, mas ele já estava usando novamente a mascara de cinismo.
— Preciso ir embora. Legiões de mulheres esperam o toque dos meus lábios — disse, com falsa alegria. — E você precisa descansar, amanhã é o grande baile do Clube da Imprensa, e vamos dançar juntos a noite inteira.
Pela primeira vez, (S/N) se deu conta de como Niall devia ser solitário e compreendeu por que se davam tão bem.
— Somos dois idiotas — ela falou, baixinho.
Passou a manhã seguinte fazendo compras e gastando todas as economias com os preparativos para o baile. Depois tomou um longo banho e se olhou no espelho. Analisou os seios pequenos e a cintura fina, os quadris largos e as pernas, que até ela achava bonitas.
De que tipo de corpo Harry gosta?, perguntou a si mesma. Avaliou-se do jeito como ele olhava para a exuberante Perrie e suspirou, desanimada. Pelo menos sabia que ele gostava das pernas dela. Mas isso não era um grande consolo. Do jeito como a tratava, parecia nem perceber que era uma mulher.
As últimas semanas, desde a chegada de Niall, tinham sido terrívei. Harry finalmente desistira de chamá-la de srta. Clarke, mas continuava tão frio e duro como antes.
Pelo menos, era o que achava. Mas sabia que muitos colegas pensavam de forma diferente; como Eleanor, do departamento de arte.
— Você reclama — disse Els —, mas há boatos de que virou a protegida dele.
— Protegida? Nos últimos dias, não tive tempo nem de tomar um café! É como se ele estivesse tentando me fazer aprender tudo da noite para o dia.
— Talvez esteja, mas não se esqueça de que você foi a primeira mulher que ele contratou como jornalista. Isso deve significar alguma coisa.
— Significa que precisou de mim para aquele trabalho especial, e agora tem que me aguentar — (S/N) respondeu, aborrecida. — Ele mal me olhou, desde aquela época. — O que não era bem verdade. Harry olhava para ela, mas seus olhos verdes estavam sempre gelados.
Agora, parada diante do espelho, ela imaginou se seria possível ele olhá-la de outra forma. Não como uma colega de jornalismo, mas como mulher!
Zayn e namorada, (S/N), Niall, Louis e Els, Harry e Cher
Niall conseguia fazê-la rir com qualquer coisa. Zayn às vezes a enfurecia e Louis, com seu jeito gentil, podia até fazê-la chorar. Mas só Harry conseguia deixá-la toda trêmula, com o sangue fervendo. Ele também era capaz de enlouquecê-la de ódio, mas preferia isso ao vazio provocado por sua indiferença.
(S/N) ficou um bom tempo fazendo a maquiagem. Passou o perfume novo que tinha comprado naquela manhã e depois colocou um vestido caro, esperando que causasse uma boa impressão. Era um longo, preto e com um decote. A saia tinha uma abertura. Os sapatos combinavam. Olhou-se no espelho e gostou do efeito.
Niall também aprovou, quando chegou para buscá-la:
Magnifique! — murmurou, beijando-lhe a mão. Depois, levantou os olhos, que pareciam cansados e tristes. — Ah, se você já não estivesse apaixonada...
A sala principal do Clube Nacional de Imprensa tinha sido muito bem decorada para aquela noite. Louis e Els já estavam lá, junto com Zayn e a namorada. (S/N) sentou-se entre Niall e Louis, e viu que na mesa, bem à sua frente, havia duas cadeiras vagas.
— Sua Majestade não vem? — perguntou Louis.
— Vem, sim — respondeu Els. Acho que Cher Lloyd quer fazer uma entrada triunfal.
Cher Lloyd! O coração de (S/N) pareceu parar. Els trocou um olhar com ela, confirmando o que Louis tinha dito:
— Parece que ela conseguiu agarrar o chefão. Eles têm saído juntos nos últimos tempos.
— Bem, talvez a entrada dela valha o atraso — (S/N) comentou, tentando parecer despreocupada. Mas tinha certeza de que seus verdadeiros sentimentos estavam estampados em seu rosto. Olhando em volta, enquanto tomava o vinho branco, achou que podia competir com as vinte mulheres mais bonitas da sala. Mas só o fato de pensar
em Cher Lloyd destruía toda a sua confiança. Sabia que quando aquela beldade morena chegasse, não teria competidoras.
E foi isso mesmo o que aconteceu. Murmúrios percorreram a sala, no momento em que Harry entrou com Cher. (S/N) sentiu que todas as mulheres estavam com inveja. Ela usava saltos tão altos que estava quase da altura de Harry e seu vestido vermelho era magnífico. O tecido brilhava quando ela andava, acentuando as curvas
dos quadris e do busto. O vestido tinha fendas num lados da saia, que deixavam suas longas pernas à mostra.
(S/N) não teve inveja. Sentiu-se insignificante demais até para isso. Cher olhou-a, como se fizesse uma avaliação, e depois a esqueceu, como tinha feito no primeiro encontro.

Niall, à sua esquerda, estava inteiramente fascinado pela morena e não escondia isso. (S/N) olhou para Harry, mas ele não parecia se importar com sua acompanhante nem com o irlandês. Era para ela que olhava, e com tal intensidade, que ficou como que hipnotizada. Nem ouviu quando Cher lhe dirigiu a palavra.

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