quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cap. 21 HS


Camberra, Australia


Quando parou, ela respirou fundo, virou-se e segurou o rosto dele, forçando-o a encará-la.
— Por favor, precisa acreditar em mim. Lamento sinceramente o que disse; não tive a intenção de ofender você. Eu estava zangada e magoada e não devia ter dito aquilo. Não devia ter dito nada. Não era para ser o que pareceu. Você devia saber que eu o considero muito para pensar aquilo. Precisa acreditar em mim, por favor.
— Está bem, acredito. Mas foi um golpe baixo.
Sabia que, no fundo, ele não acreditava. O pior era que o amava demais, e agora tinha estragado aquela chance de ficarem juntos.
— Talvez seja melhor voltarmos — ela falou, de repente.
— Voltar? Mas mal começamos o passeio. Olhe, eu lamento ter tratado você com rispidez e acho que mereci o sermão. — Levantou a mão, ao ver que ela ia protestar. — Mas, mesmo sabendo que não podemos mudar o que foi dito, prefiro esquecer tudo e continuar o passeio. Isto é, se você concordar. Que tal fazermos uma trégua total e conversarmos sobre outros assuntos durante o resto do dia? Vamos tentar nos divertir?
— Tem certeza? — Ela não queria discutir.
— Tenho. Paz?
Havia um sorriso magoado nos olhos dele, e ela sentiu vontade de chorar, mas forçou um sorriso.
— Paz!
Não fosse aquele incidente, o dia teria sido perfeito. Mesmo se sentindo culpada, se divertiu mais do que esperava. Pararam para tomar um café em Tumut, depois voltaram novamente seguiram as estradas sombreadas por árvores. Harry disse que não queria nada planejado; então, compraram algumas coisas para um piquenique foram para a represa Blowering.
Fizeram uma visita rápida às famosas cavernas de Yarrangobilly, foram perto do dique Three Miles, no alto das montanhas, e depois visitaram Cabramurra, a cidade mais alta da Austrália, situada a mais de mil e quinhentos metros.
Quase não conversaram enquanto foram para a extremidade oeste do Parque Nacional de Kosciusko. (S/N) ficou encantada com a beleza da paisagem e Harry dirigiu em silêncio, prestando atenção na estrada, visivelmente relaxado.
  
(S/N) sentiu só um pouco de medo no bondinho, porque não gostava de altura. No carro, ao lado de Harry, era uma coisa; mas, ela não sabia se poderia se controlar e deixar de abraçá-lo. Concordou com o passeio e sentiu-se surpreendentemente à vontade com o braço dele passado em volta de seus ombros. Ficou tranquila e apreciou a vista.
A descida era aterradora, e ela se encolheu nos braços de Harry até que o bondinho chegasse ao chão, fazendo a maior parte da viagem com os olhos fechados.
— Se quer um consolo, saiba que eu também estava nervoso — ele confessou, quando voltaram ao carro.
— Não acredito — ela riu. — Não consigo imaginar nada que possa deixar você nervoso.
— Você me deixa nervoso. Com mais frequência do que pensa.
— Ora, não seja bobo! — respondeu, sentindo que ficava vermelha. Afastou-se dele e correu pela ponte de madeira que atravessava o rio, perto do vilarejo. Quando Harry a alcançou com o carro, ela já tinha se controlado.
Ele dirigiu em silêncio para o monte Kosciusko, o ponto mais alto da Austrália, com dois mil e trezentos metros de altura. Harry insistiu para irem até o pico e ela não pôde recusar. Não pôde recusar também a mão que ele lhe estendeu, enquanto subiam.
Monte Kosciusko
— Oh, é lindo! — ela disse, ao chegarem, ainda de mãos dadas.
— Quase tão lindo como você — Harry murmurou.
Virou-se, surpresa, e viu que seus lábios estavam muito próximos. Os olhos verdes pareciam mais sérios do que nunca e brilhavam de um modo que a atraía.
— E isso é algo de que nunca pedirei desculpas — ele disse, baixinho. — Vou beijar uma mulher bonita, no lugar mais bonito da Austrália.
Seus lábios se aproximaram lentamente, dando-a todas as chances de evitar o beijo. Mas quando a beijou, foi com uma imensa ternura que lhe despertou uma chama de prazer doce e desconhecida. Não havia nenhuma agressão, nenhuma violência. Era como se partilhassem de algo gentil e sensual. Logo ele a largou, dizendo:
— Obrigado pelo dia de hoje.

Ela continuou a olhá-lo, sabendo que estava vulnerável demais. Mas o momento mágico tinha passado.

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