quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cap. 22 HS

Voltaram para casa e no caminho (S/N) estava cochilando.
— Acorde, Bela Adormecida. Estamos em casa.
Ela esfregou os olhos, confusa. Lá fora estava tudo escuro, e perguntou:
— Que horas são?
— Passa de meia-noite. Desculpe se o nosso pequeno passeio demorou tanto. Eu não tinha planejado isso e não queria deixá-la cansada.
— Foi um lindo dia! Adorei tudo. Mas você deve estar exausto.
— Não, na verdade sinto-me ótimo. Dirigir me acalma, ajuda a tirar as teias de aranha da cabeça. Não me lembro de ter aproveitado tanto um dia assim. Espero que você não esteja muito cansada.
— Ah, não! Adorei o dia e a viagem... pelo menos, a parte em que fiquei acordada. Quanto tempo dormi?
—Você "apagou" por poucas horas e não perdeu nada. Agora, vá dormir. Andamos seiscentos quilômetros num dia, e isso é demais para qualquer um,
— Seiscentos quilômetros?
— Isso mesmo. Um dia muito bem aproveitado.
— Foi maravilhoso! — De repente, sentia-se completamente acordada, depois de ter dormido quase duas horas. — E vimos tantas coisas! Foi como um sonho. Nós subimos mesmo no pico mais alto da Austrália?
— E você lembra que foi beijada no topo do Kosciusko?
(S/N) ia lembrar daquilo pelo resto da vida. Sentiu que arrepios lhe percorriam o corpo.
— Mas houve muito mais... — Parou para encarar-lo e viu que ele estava mais cansado do que queria admitir. — Você tem razão: é muito tarde e estou exausta.
— Eu também. Boa noite... e obrigado de novo.
Esperava dormir assim que deitasse, mas não conseguiu. Quando finalmente foi para a cama, mergulhou num sonho cheio de flores campestres, riachos e beijos apaixonados.
Era quase meio-dia, quando se levantou. Preparou o mesmo café da manhã que tinha servido a Harry na véspera. Aquela manhã, agora, parecia muito distante em sua memória, e desejou que ele estivesse ali novamente. Ficou imaginando como seria gostoso tomar café com ele todos os dias. Lembrou-se de que ele não a considerava uma esposa. Por suas perguntas estranhas, parecia óbvio que estava pensando em casamento. Será que tinha medo de que Cher se envolvesse seriamente com Niall? De todas as coisas malucas, a pior é passar o dia com o homem que se ama, e ajudá-lo a tomar a decisão de se casar com outra.
A menos... que Niall se antecipasse. Mas não conseguia ver o galante irlandês como um homem casado. Na verdade, não achava que ele fosse capaz de ganhar de Harry em nada.

O problema então, era Cher. Será que ela deixaria a carreira por causa dele? Duvidava muito. A não ser que a outra o amasse tanto quanto ela. Será que ele iria contar do passeio? Ele não era um hipócrita. Claro que contaria. Se bem que não havia nada de mais em levar uma amiga para passear. Amiga! Bateu com a xícara de café no pires, irritada.
O dia nas montanhas tinha feito com que conhecesse um Harry Styles completamente diferente: quieto e introspectivo, mais querido do que nunca. Aprendera muito sobre ele.
— Geralmente, sozinho — ele tinha dito. — Há poucas pessoas que partilham da minha idéia de solidão. E valorizo muito os meus dias de folga, para começar a complicá-los. Mas você será sempre uma companhia bem-vinda.
Era um elogio inesperado, mas ela entendia muito bem seu ponto de vista.
— Uma vez, li uma entrevista com um astro de Hollywood — ele continuou —, ele disse que o modo mais rápido de descobrir se você consegue aguentar uma mulher, é levá-la numa viagem de trezentos quilômetros, de carro. E ele estava certo, apesar de não precisar ser tão chauvinista. A
maior parte das pessoas, mulheres ou não, ia me deixar louco numa viagem dessas, logo nos primeiros cinquenta quilômetros.
— Ora, quem é que está falando de chauvinismo — ela brincou.
— Não é isso. Acontece que os homens entendem melhor os outros homens. Eu poderia formar uma opinião sobre outro homem, sem ter de viajar com ele. É quase como se fosse um instinto. Já com as mulheres, eu teria que dirigir muito, para ver o que acontece.
— Então, está me confessando que não entende as mulheres? Francamente, não sei se gosto da idéia de ter sido testada, se foi isso que você quis fazer.
— Até este minuto, a idéia nem tinha passado pela minha cabeça. Nunca me ocorreu que seria tão difícil conhecer você.
— Isso me transforma em quê? Num homem?
— Dificilmente — ele sorriu. — Ninguém pode acusá-la disso. Muito menos eu.
— Muito obrigada!
— Não agradeça, ainda. Se fosse mesmo um teste, você teria falhado nos primeiros cinquenta quilômetros, quando começou a brigar comigo. Não fique zangada. Em compensação nos últimos cinquenta, você mal disse uma palavra e eu fiquei puxando conversa o tempo todo. Isso provavelmente significa que eu também teria falhado no teste.
— Eu nunca fui um grande papo.
— O que prova que duas pessoas podem partilhar de uma experiência agradável, sem ter que conversar
Apesar de não terem conversado, sentia que, na verdade, partilhavam sentimentos.
Partilhar... partilhar o dia com o homem que amava, o homem que queria se casar com outra, e que a estava usando para ajudá-lo a colocar em ordem seus pensamentos.

Será que Harry Styles se lembraria bem daquele dia, no futuro? Será que ia se lembrar da alegria simples de ficar em silêncio junto de alguém?

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