O silêncio continuou, quando ele a levou
para casa. Harry recuso seu convite para um último drinque e ela corou
envergonhada. Queria gritar para ele suas desculpas, implorar para que acabasse
com aquela frieza. Mas não pôde fazer nada. Depois que ele foi embora, atirou-se
na cama, chorando.
Como tinha sido tola! E durante quanto
tempo ainda continuaria sendo? Era óbvio que ele não havia levado Cher à festa naquela
noite. Era óbvio também que não tinha se importado por ela chegar e sair com Niall.
Então, afinal, havia uma chance para ela. E ela estragara tudo.
O pior era o comentário que fizera, dando
a entender que ele podia estar atrás do seu dinheiro. Era uma ofensa
imperdoável, inesquecível. Soluçou até adormecer. Depois de pensar muito,
entendeu que tinha jogado fora a chance de conquistá-lo. Não era algo que
pudesse reparar facilmente...
A manhã de segunda-feira foi um inferno
para (S/N). Quando chegou ao trabalho havia um envelope na mesa dela, e o
abriu, trêmula. Leu, atônita, a maravilhosa carta de referências que Harry
tinha escrito e assinado. Os elogios eram imensos, mas a carta em si provava
que ele havia desistido dela. Momentos depois, estava soluçando, desejando
poder começar tudo de novo. Só que agora era tarde.
— Acho que essas são lágrimas de alegria
— disse uma voz fria atrás dela. (S/N) virou-se e deu com Harry em pessoa. Não
conseguiu responder; só chorar ainda mais.
Queria contar tudo, revelar seus
sentimentos, sua loucura, mas não conseguia. Depois de trocarem um olhar
hostil, ele voltou à sua mesa.
Só de tarde falou com ela novamente. Foi
para dizer que ia se encontrar com alguns amigos editores no dia seguinte, e
que gostaria de saber quais os que poderiam oferecer algum emprego a ela.
Nos dias seguintes, essa frieza deu lugar
a uma certa indiferença. Harry falou com Cher Lloyd ao telefone várias vezes e
a levou para almoçar uma vez... pelo menos, foi o que percebeu, e sentiu-se
mais nervosa ainda. Parecia estar vivendo um pesadelo e não teve forças nem
ânimo para procurar nenhum emprego.
À noite, arrumou uma pequena árvore de
Natal e depois chorou até dormir, numa solidão opressiva, que a estava
destruindo. A árvore parecia boba, mesmo depois de ela colocar ali os presentes
para Els... Louis, Zayn... Liam... Niall... e Harry Styles.
O Natal, naquele clima de verão, parecia
quase irreal para ela. Ainda não conseguia acreditar que estava completamente
sozinha naquele país estranho, e ia ter que enfrentar um Natal solitário. Reservou
uma mesa num dos melhores restaurantes. Vestiu-se cuidadosamente e foi para o
restaurante como para uma festa. Vários homens a olharam, admirando-a em seu
vestido preto, enquanto seguia o garçom. Pediu um drinque e recostou-se na
cadeira, olhando pela janela e lembrando-se de outros Natais mais alegres. Quase
não ouviu o que o garçom disse quando veio lhe trazer o drinque, mas percebeu
que ele colocava outro copo na mesa diante dela.
— O senhor vai chegar daqui a pouco.
— Não, não foi engano — ele disse, e
afastou-se, antes que ela pudesse falar.
Mas, em vez dele, quem se aproximou da
mesa foi Harry, num elegante smoking.
— Você podia tentar parecer satisfeita em
me ver — disse, sentando-se. — Qualquer companhia é melhor do que nenhuma, numa
noite de Natal.
Queria dar uma resposta irônica, mas se
controlou depressa e sorriu.
— Claro, tem razão — falou, sentindo que
tremia por dentro. — Feliz Natal — ela disse.
— Para você também, querida.
Houve outro longo silêncio e, dessa vez,
foi ele quem o quebrou. Começou a contar histórias antigas sobre o noticiário,
e (S/N) aos poucos foi relaxando. Quando chegou o prato principal, já se sentia
capaz de conversar normalmente, sem ficar vermelha. Falaram de várias coisas,
como bons amigos. Depois da sobremesa, ele perguntou se tinha gostado do
faisão. Era uma pergunta razoável, só que ela não sabia o que responder. Tinha
comido sem prestar a menor atenção. Poderia ter comido papel, que não faria a
menor diferença.
Foi salva da situação embaraçosa pela
chegada de um gordo Papai Noel, entregando pequenos presentes em todas as mesas
e beijando as mulheres.
Quando chegou à mesa deles e pediu um
beijo, ela deu, sorrindo.
— Ela não é linda? — o Papai Noel
perguntou. — Bem, vamos ver o que há aqui para você. — Remexeu no enorme saco
de presentes e tirou um pacotinho minúsculo: depois, piscou para ela e foi embora.
— Não vai abrir? — Harry perguntou,
sorrindo.
— Deve ser um brinde qualquer.
— Não faz diferença para mim. Mas a maioria
das senhoras está abrindo os presentes aqui. — Havia um ar de curiosidade nos
olhos dele, que ela nunca vira antes.
— Não precisa abrir, se não quiser — ele
comentou.
— Bem, decida: quer que eu abra agora ou
não?
— Você sempre abre os presentes assim
devagar?
— Sim, sempre. É mais divertido.
— Está bem. Mas, então, vamos fazer o
nosso brinde antes de você abrir. Feliz Natal, minha querida.
— Para você também, Hazza.
Ficaram mergulhados um nos olhos do outro
durante momentos que pareceram horas, até que ela desviou o olhar e, observando
a caixinha, perguntou:
— Agora?
— Agora!
Ela tirou a tampa e não conseguiu acreditar
no que via. Era um par de brincos de ouro imitando folhas delicadas, com lindos
brilhantes e opalas leitosas, com nuances de rosa e verde, azul e turqueza.
(S/N) fechou os olhos e depois os abriu
de novo. Não era sonho. Claro que aqueles brincos não eram iguais aos presentes
dados ao resto dos convidados. (S/N) pegou o cartão, com dedos trêmulos, e
demorou alguns segundos pára conseguir focalizar as palavras.
"Pelo seu primeiro... e espero que
não seja o último... Natal na Austrália'' — leu. A assinatura era simplesmente
um H.S.
— Mas, você... eu... oh... Começou a
soluçar, levantou-se da mesa e correu para o banheiro, cega pelas lágrimas.


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