sábado, 3 de maio de 2014

Cap. 33 HS



Sozinha diante do espelho, olhou os olhos inchados... parecia um rosto estranho... que ela mal reconhecia. Precisava se acalmar e depois pensar no que havia acontecido.
— Desculpe-me — disse, ao chegar. Harry sorriu e ajudou-a a sentar-se. Ela pegou a caixa, olhou de novo para os brincos, fechou-a e entregou-a a ele. — Não posso aceitar. Sinto muito...
— Pode... e vai aceitar — disse baixinho.
— Oh, não... não, mesmo!
— Oh, sim... sim, mesmo. E não vamos discutir, querida. — A voz dele estava aveludada demais, até perigosa. Era melhor não insistir.
— Mas os brincos são... — Ia dizer que eram caros. Ele percebeu e a interrompeu.
— São lindos demais. Portanto, por que não pára de discutir e os experimenta?— Deu uma piscada. — Agora, vá experimentá-los. Vou pedir outro drinque.
Tirou os brincos que usava e tentou colocar as opalas, mas seus dedos estavam trêmulos demais.
— Eu ajudo. — Ele se aproximou, antes que ela pudesse falar.
Quando a tocou, ficou ainda mais trêmula. E quando a beijou de leve perto da orelha, ela achou que todos estavam observando. Depois de colocar os brincos, ele voltou ao seu lugar.
— Obrigada. Muito obrigada. Vou guardá-los para sempre.
— Faça isso — ele respondeu, alegre, e seus olhos se encontraram. — Quer ir embora agora?
(S/N) o seguiu, como se andasse numa nuvem, sentindo apenas que ele a segurava pelo braço e a conduzia até o carro.
— Vou segui-la até em casa, só para ter certeza de que não se perde — ele murmurou e desapareceu.
Dirigindo para casa, ela notou que os faróis do carro dele estavam sempre logo atrás do carro dela. Ele estacionou, quando chegaram, e a acompanhou até a porta. Depois, sem dizer uma palavra, tomou-a nos braços.

Não houve nenhuma agressividade no beijo, nenhuma aspereza; apenas, uma certa urgência. Foi o beijo gentil de um homem numa criança. Esperou que a sua resposta ardente despertasse a paixão dele. Mas, de repente, ele a largou, como se a achasse frágil demais. Parecia não perceber sua necessidade de continuar nos braços dele.
— Feliz Natal — ele murmurou. Em seguida, afastou-se, iluminado pelo luar, deixando-a sozinha, e logo sentiu-se vazia, trêmula e atormentada.
Queria falar... Não podia deixar que ele fosse embora. Não podia! Mas, quando finalmente conseguiu falar, achou que ele não a ouviria.
— Mas... o seu presente de Natal. Você está se esquecendo do seu presente.
Correu para a porta, pensando, que poderia pegar o presente, antes de ele chegar ao carro. Depois, viu que não ia dar tempo, virou-se e ouviu a última frase dele.
— Amanhã, na casa de Eleanor.
Escutou a batida da porta do carro e a partida do motor. Ficou parada, vendo as luzes traseiras desaparecerem na noite.
Mais tarde, colocando o estojo com os brincos debaixo da pequena árvore, ela chorou. Mas não sabia se eram lágrimas de tristeza ou de alegria.
Saiu da cama e abriu a cortina. Ficou encantada com a luminosidade do céu. Era um lindo contraste com as suas recordações dos velhos Natais, passados no inverno da Inglaterra.
Seus olhos inchados eram a prova de que havia chorado durante a noite. Nem mesmo a beleza das opalas conseguia colocar alguma esperança em sua alma. Agora, o presente dele parecia ter um gosto de despedida.
Se algum dia tinha tido chance de que ele a amasse, agora estaria perdida. Não sabia como enfrentá-lo durante o almoço de Els.

Tomou um banho, lavou os cabelos e começou a fazer as unhas, quando percebeu que ia ficar completamente louca, se continuasse sozinha até a hora da festa, às quatro da tarde. Ligou para Els.
— Acha que precisa de ajuda?
— Socorro!Venha agora mesmo. Já devia ter vindo há uma hora... duas horas! Vou cair de joelhos e beijar seus pés, prometo. Mas venha depressa!
A pequena casa em que Els morava sozinha parecia arrumada com perfeição... menos a cozinha. Ali, havia um caos completo: potes, panelas e travessas por toda parte, coisas no chão, em cima da mesa, e a pia cheia de água.
— Meu Deus, o que você esteve fazendo? — perguntou.
— Olhe para isso! A pia entupida, a sobremesa estragada, já quebrei três copos de vinho e o meu melhor pirex. Louis não estava em casa, quando telefonei, e não pude chamá-lo para me ajudar. A festa vai ser um desastre completo. Oh, miga, o que vou fazer?
— Primeiro, dê-me o telefone de Louis. Eu o trarei aqui a tempo. Enquanto isso, limpe essa bagunça. Esqueça a sobremesa; podemos preparar algo mais tarde, quando houver espaço na cozinha.
Vinte minutos depois, estava de volta para começar.a trabalhar.
— Louis estará aqui dentro de alguns minutos — falou, entrando na cozinha. — Você tem um avental para me emprestar?
— Oh, miga, você não pode trabalhar com essa roupa. — Els gritou. — Não tenho nada para lhe emprestar... Ah, já sei! — Correu para o quarto e voltou com uma camisa de homem e uns jeans velhos. Vermelha, confessou que eram de Louis e depois disse que tinha uma notícia muito especial para dar durante a festa.
— Isto é, se tivermos uma festa — ela gemeu. — Mas prometa manter tudo em segredo. Louis ainda está um pouco envergonhado, mas ficou de anunciar o nosso noivado hoje. Vamos nos casar no dia cinco de fevereiro.
— Eleanor, que maravilha! — abraçou a amiga.

Esperou que Eleanor interpretasse suas lágrimas como sendo de alegria. E eram, só que seguidas por outras lágrimas, provocadas pela dor de seu coração partido.
— Claro que não vou estragar a surpresa — ela disse. — Mas vou dar um beijo no noivo, assim que ele chegar aqui, antes que comece a arrumar a pia.
— Se vai usar as minhas calças, pode me beijar a qualquer momento — disse uma voz na porta. Depois, quando viu o estado da pia, Louis decidiu que os beijos podiam esperar. Levou três horas para consertá-la e deixar que as moças voltassem à cozinha, para fazer a sobremesa.

— Bem, está pronta! — Louis caiu numa poltrona, com ar exausto. — Já tive melhores manhãs de Natal, mas não em tão boa companhia. Vamos tomar um drinque, amor? Acho que mereço...
— Muito bem, mas só um — Els avisou. — Ainda temos que nos arrumar, e os primeiros convidados vão chegar daqui a pouco

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