Sozinha diante do espelho, olhou os olhos
inchados... parecia um rosto estranho... que ela mal reconhecia. Precisava se
acalmar e depois pensar no que havia acontecido.
— Desculpe-me — disse, ao chegar. Harry
sorriu e ajudou-a a sentar-se. Ela pegou a caixa, olhou de novo para os
brincos, fechou-a e entregou-a a ele. — Não posso aceitar. Sinto muito...
— Pode... e vai aceitar — disse baixinho.
— Oh, não... não, mesmo!
— Oh, sim... sim, mesmo. E não vamos
discutir, querida. — A voz dele estava aveludada demais, até perigosa. Era
melhor não insistir.
— Mas os brincos são... — Ia dizer que
eram caros. Ele percebeu e a interrompeu.
— São lindos demais. Portanto, por que
não pára de discutir e os experimenta?— Deu uma piscada. — Agora, vá experimentá-los.
Vou pedir outro drinque.
Tirou os brincos que usava e tentou
colocar as opalas, mas seus dedos estavam trêmulos demais.
— Eu ajudo. — Ele se aproximou, antes que
ela pudesse falar.
Quando a tocou, ficou ainda mais trêmula.
E quando a beijou de leve perto da orelha, ela achou que todos estavam
observando. Depois de colocar os brincos, ele voltou ao seu lugar.
— Obrigada. Muito obrigada. Vou
guardá-los para sempre.
— Faça isso — ele respondeu, alegre, e
seus olhos se encontraram. — Quer ir embora agora?
(S/N) o seguiu, como se andasse numa
nuvem, sentindo apenas que ele a segurava pelo braço e a conduzia até o carro.
— Vou segui-la até em casa, só para ter
certeza de que não se perde — ele murmurou e desapareceu.
Dirigindo para casa, ela notou que os
faróis do carro dele estavam sempre logo atrás do carro dela. Ele estacionou,
quando chegaram, e a acompanhou até a porta. Depois, sem dizer uma palavra, tomou-a
nos braços.
Não houve nenhuma agressividade no beijo,
nenhuma aspereza; apenas, uma certa urgência. Foi o beijo gentil de um homem
numa criança. Esperou que a sua resposta ardente despertasse a paixão dele.
Mas, de repente, ele a largou, como se a achasse frágil demais. Parecia não
perceber sua necessidade de continuar nos braços dele.
— Feliz Natal — ele murmurou. Em seguida,
afastou-se, iluminado pelo luar, deixando-a sozinha, e logo sentiu-se vazia, trêmula
e atormentada.
Queria falar... Não podia deixar que ele
fosse embora. Não podia! Mas, quando finalmente conseguiu falar, achou que ele
não a ouviria.
— Mas... o seu presente de Natal. Você
está se esquecendo do seu presente.
Correu para a porta, pensando, que
poderia pegar o presente, antes de ele chegar ao carro. Depois, viu que não ia
dar tempo, virou-se e ouviu a última frase dele.
— Amanhã, na casa de Eleanor.
Escutou a batida da porta do carro e a
partida do motor. Ficou parada, vendo as luzes traseiras desaparecerem na
noite.
Mais tarde, colocando o estojo com os
brincos debaixo da pequena árvore, ela chorou. Mas não sabia se eram lágrimas
de tristeza ou de alegria.
Saiu da cama e abriu a cortina. Ficou
encantada com a luminosidade do céu. Era um lindo contraste com as suas
recordações dos velhos Natais, passados no inverno da Inglaterra.
Seus olhos inchados eram a prova de que
havia chorado durante a noite. Nem mesmo a beleza das opalas conseguia colocar
alguma esperança em sua alma. Agora, o presente dele parecia ter um gosto de
despedida.
Se algum dia tinha tido chance de que ele
a amasse, agora estaria perdida. Não sabia como enfrentá-lo durante o almoço de
Els.
Tomou um banho, lavou os cabelos e
começou a fazer as unhas, quando percebeu que ia ficar completamente louca, se
continuasse sozinha até a hora da festa, às quatro da tarde. Ligou para Els.
— Acha que precisa de ajuda?
— Socorro!Venha agora mesmo. Já devia ter
vindo há uma hora... duas horas! Vou cair de joelhos e beijar seus pés,
prometo. Mas venha depressa!
A pequena casa em que Els morava sozinha
parecia arrumada com perfeição... menos a cozinha. Ali, havia um caos completo:
potes, panelas e travessas por toda parte, coisas no chão, em cima da mesa, e a
pia cheia de água.
— Meu Deus, o que você esteve fazendo? — perguntou.
— Olhe para isso! A pia entupida, a
sobremesa estragada, já quebrei três copos de vinho e o meu melhor pirex. Louis
não estava em casa, quando telefonei, e não pude chamá-lo para me ajudar. A festa
vai ser um desastre completo. Oh, miga, o que vou fazer?
— Primeiro, dê-me o telefone de Louis. Eu
o trarei aqui a tempo. Enquanto isso, limpe essa bagunça. Esqueça a sobremesa;
podemos preparar algo mais tarde, quando houver espaço na cozinha.
Vinte minutos depois, estava de volta
para começar.a trabalhar.
— Louis estará aqui dentro de alguns
minutos — falou, entrando na cozinha. — Você tem um avental para me emprestar?
— Oh, miga, você não pode trabalhar com
essa roupa. — Els gritou. — Não tenho nada para lhe emprestar... Ah, já sei! —
Correu para o quarto e voltou com uma camisa de homem e uns jeans velhos. Vermelha,
confessou que eram de Louis e depois disse que tinha uma notícia muito especial
para dar durante a festa.
— Isto é, se tivermos uma festa — ela
gemeu. — Mas prometa manter tudo em segredo. Louis ainda está um pouco
envergonhado, mas ficou de anunciar o nosso noivado hoje. Vamos nos casar no
dia cinco de fevereiro.
— Eleanor, que maravilha! — abraçou a amiga.
Esperou que Eleanor interpretasse suas
lágrimas como sendo de alegria. E eram, só que seguidas por outras lágrimas,
provocadas pela dor de seu coração partido.
— Claro que não vou estragar a surpresa —
ela disse. — Mas vou dar um beijo no noivo, assim que ele chegar aqui, antes
que comece a arrumar a pia.
— Se vai usar as minhas calças, pode me
beijar a qualquer momento — disse uma voz na porta. Depois, quando viu o estado
da pia, Louis decidiu que os beijos podiam esperar. Levou três horas para consertá-la
e deixar que as moças voltassem à cozinha, para fazer a sobremesa.
— Bem, está pronta! — Louis caiu numa
poltrona, com ar exausto. — Já tive melhores manhãs de Natal, mas não em tão
boa companhia. Vamos tomar um drinque, amor? Acho que mereço...
— Muito bem, mas só um — Els avisou. — Ainda
temos que nos arrumar, e os primeiros convidados vão chegar daqui a pouco

Omg continue por favor :o esta muito bom
ResponderExcluirContinua please
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