Ouviu uma batida forte na porta do
apartamento, mas achou que fazia parte do seu sonho. Antes de conseguir se
levantar para atender, a porta se abriu e Harry Styles entrou, zangado.
Ele parou, olhando para ela, e depois
apontou para a corrente de segurança da porta.
— Para que você acha que essa coisa
serve? É puro enfeite? Droga, mulher, qualquer um pode entrar aqui, quando
quiser!
— Tenho certeza disso — respondeu, também
zangada. — O que você quer?
— É óbvio que vim ver por que você não
está na festa.
— Acho que isso não é da sua conta.
Acontece que dormi.
— Soube que você estava com dor de
cabeça, ou resfriada, ou qualquer destas doenças convenientes que as mulheres
costumam inventar. Mas vejo que se vestiu para a festa.
— Claro que me vesti para a festa. E já
estaria lá, se não tivesse dormido.
— Então, por que todas aquelas desculpas
que Eleanor deu sobre a sua dor de cabeça e febre? Até parece que você estava
querendo se convencer para não ir.
— E por que eu faria isso?
Harry deu de ombros e a olhou, com ar de
dúvida.
— Como posso saber? Mas agora não tem
mais importância, já que está pronta para ir. — Pegou a bolsa e o xale dela. —
Vamos. Você está muito atrasada.
— Sou perfeitamente capaz de ir sozinha —
respondeu friamente. — Vou no meu carro.
— Você vem comigo — ele disse, com
rispidez, e segurou seu braço. — Garotas que dormem com a porta do apartamento
aberta não são dignas de confiança para dirigir à noite. Além do mais, você
pode ter outro ataque dessa doença imaginária.
— Tire as mãos de mim! Não sou uma
criança e não quero receber ordens de você. Não é da sua conta se eu vou ou
não.
— Mas claro que é da minha conta. É a
festa do escritório, e sou o chefe. Se você não aparecer, o pessoal vai pensar
que a culpa é minha, que não tenho coração.
— E daí? Talvez seja verdade. De qualquer
modo, não vou entrar naquela festa com você, principalmente porque já é tarde.
Algumas pessoas podem ter idéias erradas. Como Cher Lloyd, por exemplo. O riso dele foi sincero.
— Não precisa se preocupar com ela —
disse, e o coração dela ficou pesado como uma pedra. Ele dirigiu em silêncio
até o hotel, onde seria realizada a festa. Ajudou-a a saltar e pediu que
esperasse por ele, enquanto estacionava.
Esperar por ele! Esperaria o resto da
vida, se Harry lhe desse algum bom motivo para isso. Mas não via nenhuma lógica
em esperar por ele, para entrar numa festa. Apertando a bolsa nas mãos trêmulas,
caminhou para a porta. Harry chegou ao seu lado e entraram juntos.
Ao entrar no salão, viu que seu atraso
não seria percebido. Observou a mesa e viu, surpresa, que Cher Lloyd estava
ao lado de Niall e que havia uma cadeira vazia junto de Eleanor e Louis. Niall, não estava
tendo nenhum problema com a sua companheira de mesa. Levou
Cher para dançar, e ambos pareciam se divertir muito. Quando voltaram à mesa, Harry
convidou à morena. (S/N) dançou com Niall, Louis, Zayn, Liam e vários outros.
Mas todo o tempo não tirava os olhos de Harry.
(S/N) saiu discretamente e foi ao
toalete, para evitar que Harry a tirasse para dançar. Mas, ao voltar, ele
estava sozinho na mesa, olhando para a pista, e nem pareceu notá-la.
Certa de que ele observava Cher dançando
com Niall, ela tentou seguir seu olhar disfarçadamente. De repente a expressão
dele mudou, e ele trocou um olhar significativo com Cher, que flertava abertamente
com o irlandês. Sentiu ciúme, raiva, e
também sentiu pena de Niall, que não percebia a intimidade daquela mulher com o
homem que estava sentado a seu lado.
Conversava com Els, quando começou uma
nova seleção, músicas mais lentas. Imediatamente, sentiu uma mão em seus ombros.
Antes mesmo de ser virar, sabia quem era.
— Quer dançar comigo, agora? — Harry
perguntou, gentilmente mas parecia mais uma ordem do que um pedido.
Quis recusar. Não conseguiu falar nada, e, quando percebeu, já
estava sendo conduzida para a pista. A princípio ficou tensa, dançando mal,
preocupada em se manter afastada do corpo de Harry. Mas, à medida que as músicas foram ficando mais lentas,
e a pista mais cheia, foi empurrada contra ele, que a segurou com firmeza. Harry continuou a abraçá-la, até a música recomeçar.
Sentiu o braço dele ficar mais firme em
sua cintura, puxando-a para mais perto. De repente, percebeu que já nem escutava
mais a música, apenas seguia os movimentos dele, como se fosse parte daquele
homem.
— Quero que termine de fazer a carta de
referências, para que eu consiga um emprego. Será a primeira coisa que pretendo
fazer no ano que vem.
— Ainda não mudou de idéia? Eu esperava
que mudasse, porque já lhe disse que não precisa deixar o emprego.
— Um de nós dois precisa sair. E sou eu.

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