
Não conhecia o intruso, mas Cher o
conhecia e fez uma cara aborrecida.
— Não dê papo, que ele vai embora.
O homem era alto, magro, muito bonitão e
estava bêbado. Ignorando Cher, ele sentou-se ao lado de (S/N) e pousou a mão no
joelho da moça.
— Você é uma coisinha adorável — disse. —
Não é igual a Cher. Essa aí não passa de uma cadela.
(S/N) afastou a mão dele e ajeitou-se na
cadeira.
— Por favor! — disse, num tom que teria
desencorajado qualquer um.
Mas o sujeito puxou a cadeira para mais
perto dela. Parecia um polvo, cheio de mãos que tentavam agarrá-la. Ela estava começando
a ficar furiosa.
— Você acha que ele pararia, se eu lhe
desse um soco na boca? — ela perguntou a Cher, baixinho, fechando o punho.
— Talvez seja o único jeito.
O estranho ignorou aquilo também e
começou a apalpa-la. Quando ela afastou a mão dele pela segunda vez e tentou se
levantar, ele a agarrou pelo pulso, com força, e murmurou palavras incoerentes
em seu ouvido.
Lutando para se libertar, ela viu Cher se
levantar para ajudá-la. Mas parou, sorrindo de um jeito estranho. Um segundo depois,
o intruso a largava e era afastado dali por uma mão forte que o segurava pelo
pescoço.
— Faça um favor a si mesmo, colega: suma
ou ficará de cara arrebentada.
A voz de Harry era fria e seus olhos
brilhavam de raiva. Arrastou o outro para uma mesa cheia de homens. A conversa
entre eles foi rápida e ela não conseguiu ouvir nada. Mas, poucos minutos depois,
dois deles se levantaram e acompanharam o estranho para fora da sala.
— Animal! — Harry murmurou, voltando para
a cadeira vaga ao indo de (S/N), que esfregava o pulso machucado.
Ele a acariciou gentilmente, sem dizer
nada, mas a moça soltou-se.
Virando-se para Cher, ele perguntou:
— Por que deixou aquele porco vir aqui?
Você devia saber muito bem o
que ia acontecer.
— Não foi minha culpa. Nós duas fizemos
tudo, menos gritar, para nos livrarmos dele.
— Deviam ter gritado — respondeu,
zangado. — Ou será que não queriam se livrar dele?
— Não seja estúpido! — (S/N) respondeu. —
Ele estava bêbado, por isso foi tão desagradável. Eu não precisava da sua ajuda
para me livrar dele. Estava indo muito bem.
— Claro que estava. Quer que eu o traga
de volta para você poder usar o seu famoso soco de direita?
— Não se preocupe! Se ele voltar, eu vou
usar.
— Então, vá lá e tente. Não é o pulso
esquerdo que está machucado?
— Ora, não me amole! — ela disse furiosa,
mas ficou com medo, quando ele a agarrou pelo braço e a obrigou a se levantar.
— Muito bem! Vá lá, ande!
A gargalhada de Cher quebrou a tensão que
se seguiu.
— Vocês precisavam se ver. Parecem duas
crianças brigando!
(S/N) olhou para Harry e viu que ele
disfarçava um sorriso. Minutos depois, Niall chegou à mesa e encontrou os três
rindo, sem parar. Demoraram uns cinco minutos para se acalmar e explicar qual
era a graça. Mas o irlandês não achou nada divertido.
— Vocês estão malucas. — Depois, virou-se
para Harry. — E você devia ter dado uma surra no homem.
Cher salvou a situação, arrastando-o para
dançar. Harry e (S/N) ficaram sozinhos na mesa, rindo um para o outro.
— Bem, se vamos ter que nos aguentar,
acho melhor dançarmos — ele falou, baixinho.
Dançaram em completa harmonia, e as
músicas foram se tornando cada vez mais lentas e românticas.
O pulso de (S/N) doía terrivelmente, mas
ela procurou ignorar aquilo. Na verdade, quase não percebia mais a dor.
Às vezes, começavam a rir baixinho,
quando passavam por Cher e Niall, e o irlandês piscava para os dois.
Sentia-se tonta. Mas não era mais efeito
do vinho. Era a proximidade de Harry que a perturbava cada vez mais.
Estava nas nuvens, quando Niall a levou
para casa.
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Continua, eu to amando
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