
— Claro! Quer dizer que não percebeu?
Ela não tinha notado. Desde o baile do
Clube de Imprensa, mal havia conversado com Niall em particular. Depois das
revelações de Els, não perdeu tempo e foi procurar-lo.
— Mas... e Harry? — ela perguntou, depois
que ele confirmou, todo feliz, que estava namorando Cher.
— O que tem ele? Pelo que sei, ele não
tem nada a ver com isso. Nem chegamos a falar sobre ele.
Não era uma boa resposta, mas servia para
esclarecer ela quanto às mudanças de temperamento de Harry. Ele estava se comportando
como um amante abandonado. Voltando ao noticiário, depois do almoço, ela
encontrou a sala vazia. Ele estava numa janela, pensativo; ignorando o telefone
que tocava. Sem pensar, ela atendeu, e ficou surpresa com a torrente de
reclamações que ouviu. Era um homem, falando alto e zangado; quando ele começou
a dizer palavrões, afastou o fone do ouvido. Estava confusa e sentia-se incapaz
de responder. De repente, Harry tirou-lhe o fone das mãos, ouviu durante um
segundo e ficou uma fera.
— De quem foi a idéia de ligar para cá e
tratar mal a minha equipe? — Houve um silêncio; depois, ele continuou: — Sim,
vou cuidar disso. E você, seu filho da mãe, é melhor que esteja certo. Mas,
mesmo que esteja, esta é a última vez que dá um telefonema desses. Ninguém fala
com a minha equipe desse jeito. Se quer reclamar, venha me procurar.
Houve outro silêncio, e ela ouviu algo
que parecia um pedido de desculpas. ele respondeu, zangado:
— Não quero as suas desculpas. Mas pode
mandá-las por escrito, para a srta. (S/N) Clarke. E é bom que mande hoje,
porque se a carta não estiver aqui no escritório amanhã de manhã, esta será a
última vez em que você vai ser mencionado no meu noticiário. E mais uma coisa:
não torne a falar comigo desse jeito, ou acabará com os dentes quebrados! —
Desligou telefone e virou-se para ela. — Malditos secretários de sindicatos! E
se você não receber uma carta com o pedido de desculpas até amanhã de manhã,
ele ficará na lista negra. Nunca mais fará esse tipo de bobagem. Se alguém a
tratar assim novamente, passe a ligação para mim. Não pago ao meu pessoal para
ouvir esse tipo de lixo!
(S/N) levantou os olhos para ele,
concordando. Estava espantada com as rugas de preocupação que via em seu rosto,
e com a fúria estampada em seus olhos verdes. Também estava pálido e com os
olhos inchados. Controlou seu impulso de acariciá-lo.
— Há algo que eu possa fazer para você
não ficar tão aborrecido? Perguntou. — Não sobre esse telefonema, mas sobre o
que o está aborrecendo há três semanas. Você está horrível.
— Pareço tão mal assim? Não é para menos,
não tenho dormido bem. Acho que estou ficando velho, ou algo desse tipo. Deus
sabe como me sinto velho. — Riu, com uma ponta de amargura. - Sim, você bem que pode fazer algo por mim. Que tal
darmos um passeio?
— Agora? — perguntou, confusa.
— Não. Amanhã. Amanhã é sábado, não é?
Vou buscá-la... às oito horas da manhã e vamos passar o dia passeando pelos
arredores de Camberra. Acho que você não tem saído muito da cidade, e vai gostar
do passeio. Não precisa vestir nada especial leve um maio e toalha, certo?
Ela queria fazer mais perguntas, mas os telefones
interromperam e passou o resto do dia trabalhando. Quando terminou, foi tomar um
drinque no Clube de Imprensa com Els e Louis, mas jantar sozinha, alegando que
precisava dormir cedo.
Harry telefonou às quatro da manhã, e ela
já estava pronta para sair.
— Escute, esqueci de falar sobre o café
da manhã — ele disse. Quer que eu leve alguma coisa?
— Eu estou tomando café agora. Porque
você não vem para cá?
Devia realmente, estar ficando
louca. O homem queria levá-la para um passeio
àquela estranha hora da manhã, provavelmente para ter conselhos sobre o romance
dele com outra mulher, e ela ainda
oferecia café. Louca, louca, louca!
oferecia café. Louca, louca, louca!
Fritou o bacon, preparou torradas
e ovos e fez café fresco. Esta tudo pronto quando Harry chegou. Não parecia
disposto a conversar foi evasivo ao falar do passeio.
— Vamos passar o dia todo fora, e ver o
que há para ser visto. Só isso.
Depois, ele insistiu em ajudá-la a lavar
a louça.
— Só para provar que tenho um temperamento
muito doméstico — Ele não disse mais nada, até estarem em Camberra.
Passaram pelas estradas silenciosas da
cidade, subiram a ponte estreita do Murrunbidgee e entraram em Cotter Reserve. Atravessaram
campos e pegaram uma estradinha de terra margeada por pinheiro até chegarem a
um local onde se extrai madeira chamado Brindabell Ranges.
Estava de
jeans e uma camisa velha de algodão, o cabelo esvoaçando a brisa,
Harry parecia bem mais moço do que quando trabalhava no escritório. Estava mais
descansado e feliz.
O carro esporte era velho, mas bem
cuidado, e ele guiava muito bem, principalmente
considerando que as estradas de Brindabella que estavam em péssimo estado.
Havia muito tráfego ali, e.ele teve que
dirigir mais devagar. Foi então que, de repente, começou a falar:
— Você acredita em amor à primeira vista?
A pergunta pegou (S/N) de surpresa. Ela
pensou numa resposta, lembrando-se primeiro do caso de Niall e Cher e, depois,
pensando melhor, viu que tinha se apaixonado por Harry à primeira vista. Será
que ele está se referindo ao romance da ex-amante?
— Acho que é possível — ela disse,
finalmente. — Para algumas pessoas...
Por quê? Você já sentiu isso?
— Que tipo de coisas você, como mulher,
esperaria de um casamento?

To amando de demais
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