segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cap. 18 HS

— Claro! Quer dizer que não percebeu?
Ela não tinha notado. Desde o baile do Clube de Imprensa, mal havia conversado com Niall em particular. Depois das revelações de Els, não perdeu tempo e foi procurar-lo.
— Mas... e Harry? — ela perguntou, depois que ele confirmou, todo feliz, que estava namorando Cher.
— O que tem ele? Pelo que sei, ele não tem nada a ver com isso. Nem chegamos a falar sobre ele.
Não era uma boa resposta, mas servia para esclarecer ela quanto às mudanças de temperamento de Harry. Ele estava se comportando como um amante abandonado. Voltando ao noticiário, depois do almoço, ela encontrou a sala vazia. Ele estava numa janela, pensativo; ignorando o telefone que tocava. Sem pensar, ela atendeu, e ficou surpresa com a torrente de reclamações que ouviu. Era um homem, falando alto e zangado; quando ele começou a dizer palavrões, afastou o fone do ouvido. Estava confusa e sentia-se incapaz de responder. De repente, Harry tirou-lhe o fone das mãos, ouviu durante um segundo e ficou uma fera.
— De quem foi a idéia de ligar para cá e tratar mal a minha equipe? — Houve um silêncio; depois, ele continuou: — Sim, vou cuidar disso. E você, seu filho da mãe, é melhor que esteja certo. Mas, mesmo que esteja, esta é a última vez que dá um telefonema desses. Ninguém fala com a minha equipe desse jeito. Se quer reclamar, venha me procurar.
Houve outro silêncio, e ela ouviu algo que parecia um pedido de desculpas. ele respondeu, zangado:
— Não quero as suas desculpas. Mas pode mandá-las por escrito, para a srta. (S/N) Clarke. E é bom que mande hoje, porque se a carta não estiver aqui no escritório amanhã de manhã, esta será a última vez em que você vai ser mencionado no meu noticiário. E mais uma coisa: não torne a falar comigo desse jeito, ou acabará com os dentes quebrados! — Desligou telefone e virou-se para ela. — Malditos secretários de sindicatos! E se você não receber uma carta com o pedido de desculpas até amanhã de manhã, ele ficará na lista negra. Nunca mais fará esse tipo de bobagem. Se alguém a tratar assim novamente, passe a ligação para mim. Não pago ao meu pessoal para ouvir esse tipo de lixo!
 (S/N) levantou os olhos para ele, concordando. Estava espantada com as rugas de preocupação que via em seu rosto, e com a fúria estampada em seus olhos verdes. Também estava pálido e com os olhos inchados. Controlou seu impulso de acariciá-lo.
— Há algo que eu possa fazer para você não ficar tão aborrecido? Perguntou. — Não sobre esse telefonema, mas sobre o que o está aborrecendo há três semanas. Você está horrível.
— Pareço tão mal assim? Não é para menos, não tenho dormido bem. Acho que estou ficando velho, ou algo desse tipo. Deus sabe como me sinto velho. — Riu, com uma ponta de amargura. - Sim, você bem que pode fazer algo por mim. Que tal darmos um passeio?


— Agora? — perguntou, confusa.
— Não. Amanhã. Amanhã é sábado, não é? Vou buscá-la... às oito horas da manhã e vamos passar o dia passeando pelos arredores de Camberra. Acho que você não tem saído muito da cidade, e vai gostar do passeio. Não precisa vestir nada especial leve um maio e toalha, certo?
Ela queria fazer mais perguntas, mas os telefones interromperam e passou o resto do dia trabalhando. Quando terminou, foi tomar um drinque no Clube de Imprensa com Els e Louis, mas jantar sozinha, alegando que precisava dormir cedo.
Harry telefonou às quatro da manhã, e ela já estava pronta para sair.
— Escute, esqueci de falar sobre o café da manhã — ele disse. Quer que eu leve alguma coisa?
— Eu estou tomando café agora. Porque você não vem para cá?
Devia realmente, estar ficando louca.  O homem queria levá-la para um passeio àquela estranha hora da manhã, provavelmente para ter conselhos sobre o romance dele com outra mulher, e ela ainda
oferecia café. Louca, louca, louca!
Fritou o bacon, preparou torradas e ovos e fez café fresco. Esta tudo pronto quando Harry chegou. Não parecia disposto a conversar foi evasivo ao falar do passeio.
— Vamos passar o dia todo fora, e ver o que há para ser visto. Só isso.
Depois, ele insistiu em ajudá-la a lavar a louça.
— Só para provar que tenho um temperamento muito doméstico — Ele não disse mais nada, até estarem em Camberra.
Passaram pelas estradas silenciosas da cidade, subiram a ponte estreita do Murrunbidgee e entraram em Cotter Reserve. Atravessaram campos e pegaram uma estradinha de terra margeada por pinheiro até chegarem a um local onde se extrai madeira chamado Brindabell Ranges.
Estava de jeans e uma camisa velha de algodão, o cabelo esvoaçando a brisa, Harry parecia bem mais moço do que quando trabalhava no escritório. Estava mais descansado e feliz.
O carro esporte era velho, mas bem cuidado, e ele guiava muito bem, principalmente considerando que as estradas de Brindabella que estavam em péssimo estado.
Havia muito tráfego ali, e.ele teve que dirigir mais devagar. Foi então que, de repente, começou a falar:
— Você acredita em amor à primeira vista?
A pergunta pegou (S/N) de surpresa. Ela pensou numa resposta, lembrando-se primeiro do caso de Niall e Cher e, depois, pensando melhor, viu que tinha se apaixonado por Harry à primeira vista. Será que ele está se referindo ao romance da ex-amante?
— Acho que é possível — ela disse, finalmente. — Para algumas pessoas... Por quê? Você já sentiu isso?

— Que tipo de coisas você, como mulher, esperaria de um casamento?

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