terça-feira, 22 de outubro de 2013

Cap. 1 HS



O canto dos passarinhos acordou (S/N). O sol ainda estava surgindo por trás das Montanhas Negras. Tonta de sono, ela se virou para o outro lado, cansada por causa da noite mal dormida e dos sonhos agitados. Ainda não estava completamente acordada, quando o grito do kookaburrasa fez sentar-se depressa na cama, sacudindo a cabeça loura, com os imensos olhos verdes arregalados.
O susto só durou um instante. Logo, entendeu do que se tratava.
— Sua boba — disse ela em voz alta. — É só um pássaro.
Abriu as cortinas e deixou que o ar fresco entrasse. Era a sétima manhã que passava na Austrália, a quarta manhã em Camberra e a primeira no seu próprio apartamento. Sem mencionar que seria o seu primeiro dia de trabalho no setor de jornalismo da TV ACT. (S/N) olhou através da tela da janela e sentiu o perfume das flores que vinha do jardim coberto de orvalho. Depois, foi para o chuveiro. Quinze minutos depois, estava sentada numa cadeira no jardim, tomando chá com bolinhos. Ou melhor, engolindo, pois sentia-se excitada demais para apreciar a comida. Voltou para o quarto correndo, para se vestir. Escolheu uma saia estampada de flores e uma blusa creme. Eram oito e meia, quando saiu para pegar o carro na garagem.
Tinha que dirigir por uns quinze minutos até os estúdios da ACT, no sopé das montanhas, e só precisava chegar às nove e meia. Mas, naquela manhã, estava nervosa. Não queria chegar tarde. Ao invés de consultar o mapa da cidade, dirigiu diretamente para a Represa Scrivener, estacionou e deu um passeio, enquanto lia as informações para os turistas.
Acima da barragem de concreto ficava o lago Burley Griffi, assim batizado por causa do engenheiro americano, que tinha planejado toda a capital da Austrália. Abaixo, estava o rio Molonglo, que ia se encontrar com o Murrumbidgee. (S/N) leu as informações, distraída.
Estava pensando em seu primeiro dia de trabalho. Quando chegou ao estúdio, só faltavam dez minutos para o seu horário de entrada. Abriu a porta da sala de noticiário e ouviu o som dos teletipos. Um homem não muito baixinho e bundundo, que lia alguns telex, levantou-se e se aproximou, com a mão estendida.
— (S/N) Clarke, certo? Sou Louis Tomlinson. Vamos tomar um café, e aí vai me contar o que uma linda garota como você está fazendo num lugar terrível como este.
Sem esperar resposta, ele a levou por uma porta que dava para o corredor, onde ficava a máquina de café. Tinham se servido e se sentado, quando Louis levantou os olhos e murmurou:
— Ora, ora, aí vem problema!
(S/N) olhou o recém-chegado, com interesse. Era moreno, bronzeado e andava como um felino. Bonito, apesar de ter as feições um pouco duras. Tinha olhos de um verdes tão claro que pareciam sem cor. Quando se aproximou da mesa, (S/N) reparou em seus ombros muito largos. Ele a olhou rapidamente, com indiferença. Em seguida, virou-se para o silencioso Louis Tomlinson, e seus olhos brilharam.

(S/N) ficou tensa, esperando um desabafo raivoso, mas a voz do homem era suave e gentil, apesar dos gestos nervosos e irritados com que chamou Louis.
— No escritório... agora!
O rapaz ficou embaraçado, pois, obviamente, pretendia fazer as apresentações.
— Bem... Harry... eu gostaria...
— Agora!
O tom de ordem não dava margem a mais nenhum comentário. O homem virou-se e saiu sem olhar para trás. (S/N) ficou com a boca aberta de surpresa. Olhou para Louis, que acabava o café, apressado, e já se levantava.
— Bem-vinda ao covil do lobo — ele disse, dando de ombros. — Acho melhor irmos, antes que o chefe tenha uma explosão. Dê alguns minutos para que ele me devore, antes de aparecer; senão, vai aprender alguns palavrões novos. Obviamente, ele não está em seus melhores dias.
Caminharam pelo corredor e passaram por um grupo que discutia em voz alta num canto. Louis entrou na sala do editor e fechou a porta, mas deu para (S/N) ouvir trechos de uma violenta discussão.
—... deixo você sozinho por uns minutos... e já está lá fora, caçando alguma franga...
—... mas não...
—... deixou a sala do noticiário abandonada...
— Mas ela...
— Eu não quero saber quem ela é...
Apesar de tentar, Louis não conseguiu falar, e estava levando a pior. Não era justo. (S/N) abriu a porta e entrou no meio da discussão.
— Quem diabo é você?                                                               
A voz do homem baixou de tom, mas a raiva estampada em seus olhos verdes a atingiu como uma bofetada.
— Eu... eu...
Louis interrompeu.
— É a nossa nova secretária. — Seguiu-se um longo silêncio. — Harry Styles... (S/N) Clarke.
— Ora, que maravilha! — O tom agora era de deboche. — Uma secretária! — Virou-se para Louis e sacudiu a cabeça, zangado. — Eu peço jornalistas a eles, peço equipamentos, e veja só o que consigo... uma secretária!
Olhou para (S/N) e riu.
— E, pior do que tudo, uma secretária que fica seduzindo meus jornalistas, fazendo com que saiam da sala, deixando tudo abandonado, enquanto batem papo tomando café. Já vi que vai ser de grande ajuda aqui, srta. Clarke. Uma ajuda maravilhosa!
Louis Tomlinson interrompeu, tentando levar a culpa pelo incidente do café. Mas parecia estar falando com uma parede. Harry Styles estava dando toda a sua atenção a (S/N).

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