quarta-feira, 5 de março de 2014

Cap. 25 HS







Por entre as lágrimas, viu que ele se levantava e andava, nervoso, pela areia. Zangada e desapontada, sentiu vontade de correr para ele; queria segui-lo, confortá-lo, mas não sabia como. Simplesmente ficou lá, deitada, as lágrimas caindo sobre a areia quente.
Harry voltou com o olhar duro e tenso. Ela tentou acalmá-lo, dizendo que a culpa era dela também, mas ele não quis ouvir.
— Eu pedi desculpas e estava falando a sério. Mas também lamento ter parado.
— Não sei por que está tão aborrecido. Não me lembro de ter bancado a vítima.
— Talvez não. Mas seria uma vítima, de qualquer modo. Não teria sido bom para você.
— E a minha opinião a esse respeito não interessa, não é? — perguntou zangada com a atitude fria dele.
— Não. Um encontro casual é uma coisa, mas nós dois sabemos que não se trata disso.
— Acha que, se a gente fizesse amor, eu iria querer que se casasse comigo? — Estava magoada e ferida demais, para pensar no que dizia. — Pelo menos, ganharia uns cinco mil dólares por ano, o que é muito mais do que aquilo que consegue com as suas garotas-lenço-de-papel!
 Harry deu uma gargalhada, mas sem alegria.
— Não acho que você precisa pagar aos seus amantes. — Estendeu a mão e ela se levantou. Depois, encarando-a, ele quase gritou: — Deixe-me dizer-lhe uma coisa, srta. Clarke. Está aqui, exatamente, porque não é uma garota descartável. Pensei que fosse minha amiga, e amigos são mais importantes do que amantes. Pelo menos para mim.
De repente, ele a estava apertando nos braços, beijando-a no pescoço e nos seios.                                                                        
— Mas parece que o que você precisa mais é de um amante, o que também acho bom. Eu a quis, assim que a vi. Portanto, se quiser fazer esse tipo de jogo, quem sou eu para discutir?
(S/N) lutou, numa última tentativa de resistência, ela usou as unhas, arranhando-lhe violentamente o rosto. Apanhado de surpresa, Harry caiu contra a borda do barco, quebrando a vara de pescar. Ele xingou baixinho, tentando soltar o anzol que havia se enroscado em sua calça.
A raiva dela passou, e ela se aproximou, afastando a mão dele do anzol, para que ele não se machucasse.
— Deixe que eu tiro, você pode se ferir.
Harry não lhe deu atenção, e ela viu um filete de sangue manchando o tecido.
— Essa porcaria está me furando — ele disse, puxando o anzol. (S/N) bateu na mão dele e gritou:
— Não vai conseguir tirá-lo desse jeito.
— Não posso dirigir até em casa assim, não é? — ele gritou também.
— Claro que não. Mas pode ficar quieto e me deixar tentar tirá-lo.
— Duvido que consiga.
— Não duvide. Debruce na borda do barco e fique quieto. Você não é nenhuma criança!
Harry não gostou de situação, mas teve que concordar. (S/N) abriu a parte rasgada da calça e do calção, até poder ver o aço do anzol e até onde havia penetrado. Ele gemeu, depois deu um suspiro e perguntou ela se achava que conseguiria soltá-lo.
— Eu... eu não sei — confessou, engolindo em seco, sentindo náuseas ao ver o sangue. — Nunca fiz nada parecido com isso.
— Bem, está na hora de aprender.
Obedecendo às ordens dele, pegou um alicate na caixa de prímeiros-socorros e prestou atenção, enquanto Harry explicava como cortar o anzol.
— Acho que não posso — disse, trêmula.
— Faça isso, e não discuta!
— Mas vou machucar você...
— Não, não vai. Está tudo adormecido. Agora, faça!
Lutando contra o enjôo, conseguiu pegar o anzol do modo certo.
— E agora? — murmurou, apertando os dentes e sentindo-se fraca diante do olhar de dor dele.
— Corte a ponta do anzol e tire-o, pelo mesmo caminho pelo qual entrou. E o faça depressa, antes que eu desmaie ou algo pior aconteça.
— Pronto — disse, aliviada. — Acabou.
— Obrigada. Agora, acha que pode abrir a caixa de primeiros-socorros e passar iodo no local?
(S/N) passou o iodo, sentindo uma alegria perversa ao vê-lo estremecer de dor.
— Pronto. Espero que isso lhe ensine a controlar as mãos.
— Claro que sim— ele respondeu friamente. — E obrigado por bancar o médico. Se bem que tenho certeza de que iria preferir me deixar com o anzol, enquanto ficava observando o meu sofrimento.
— Foi uma tentação. Eu mandaria embalsamar você e depois o penduraria na sala do noticiário.
Harry piscou, sorrindo:
— Bem, pelo menos teria uma prova de que conseguiu um homem. Só não me ponha na mesma parede, junto com aquele irlandês. É só o que lhe peço.
(S/N) arregalou os olhos, fingindo inocência:
— Ah, não! — respondeu, com voz doce. — Ele, eu o colocaria na parede do quarto. — Deu uma risada ao ver a raiva que surgiu nos olhos de Harry. Pensou que tinha marcado um ponto. Mas, à medida em que voltavam percebeu, pelo silêncio dele, que a sua vitória fora completamente vazia.
Domingo foi um dia atormentado para (S/N). Já não conseguia mais negar o seu amor por Harry, e passou o dia chorando. A noite, deitou-se na cama, achando que a sua única chance de salvação seria ir embora.

Precisava se controlar e agüentar firme por três semanas apenas; não podia deixar que ele tivesse a oportunidade de magoá-la mais. Enquanto caminhava pelos corredores da estação de televisão, na manhã seguinte, rezava para não o encontrar. Queria trabalhar fora o tempo todo, pois sabia que ele estaria constantemente na sala do noticiário.

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