Ele sorriu e levantou uma sobrancelha,
fazendo um ar intrigado.
— Não é o fim do mundo. Mas talvez eu
devesse fazer isso mais vezes. Você, realmente, tem muito mais vivacidade
quando está zangada. Agora, vamos esquecer o caso. Quero dar uma olhada nesta exposição,
sem estar sendo filmado, e quero que me dê sua opinião honesta sobre as peças.
Ela saiu com ele, fazendo alguns
comentários sobre as jóias. Quando chegaram à seção de anéis de noivado,
desejou não ter que ver aquilo tudo com ele.
— Acredita que os diamantes sejam os
melhores amigos de uma mulher? — ele perguntou, rindo.
— Acho que sim... para a maioria das
mulheres.
— Mas não para você? — estava curioso, e
(S/N) sabia que era melhor responder do modo mais sincero possível.
— Gosto muito, mas só como um
investimento. Francamente, acho que há pedras mais bonitas.
— Por exemplo?
— Opalas, para anéis de noivados. Elas
podem ser comuns aqui na Austrália, mas ainda acho que são as pedras mais
bonitas do mundo.
— Concordo, mas também são frágeis. Não
servem para anéis de noivado por causa da fragilidade. Na verdade, fazer um
anel com uma opala é uma temeridade. Não se deve nunca colocar uma opala na água,
por exemplo; muito menos, em água com sabão, ou em algum produto que contenha
óleo.
Harry continuou contando a ela como as
opalas absorvem a oleosidade do corpo, e por isso só deviam ser usadas como
broches ou pingentes.
— Não servem para anéis de noivado.
Portanto, o que você escolhe?
— Acho que não preciso me preocupar com
esse assunto — ela respondeu, em tom frio, esperando que ele não percebesse
como estava magoada.
— Nunca se sabe... — ele brincou. — Só
por curiosidade, o que escolheria se fosse ficar noiva?
— Teria que pensar no assunto, e não
quero me preocupar com isso. — Tentou afastar-se, mas ele a segurou pelo braço.
— Não fuja do assunto, (S/N). Estou
pedindo sua opinião sincera. Tem medo de que eu compre um anel e queira tirar a
licença de casamento?
— Não estou com medo de nada — disse,
desesperada. — Só acho que isso é uma brincadeira boba.
— Então, vamos chamar novamente a sra.
Smythe e dizer a ela que vamos ficar noivos. Tenho certeza de que vai adorar
nos ajudar a escolher um anel. — A voz dele estava calma, mas seu olhar era frio,
e ela sabia que só queria humilhá-la mais.
— Você é terrível! — murmurou. — Está
bem! — Apontou para um anel pequeno, em ouro amarelo, todo trabalhado e incrustado
com uma linda esmeralda. Era um anel diferente, e havia chamado sua atenção,
desde o momento em que o vira. — Aquele é o que eu escolheria. Acho que é o mais
bonito de toda a exposição.
Harry olhou para o anel e depois para
ela.
— Sim, parece que tem mais bom gosto do
que mostrou na entrevista. — Sorriu, irônico. — Mas não acha que uma esmeralda
é uma pedra difícil de ser usada o tempo todo?
— Não. E o anel não é grande. O trabalho
no ouro é o que chama mais a atenção. Mais do que a pedra. Além disso, a pessoa
que usa o anel de noivado é quem mais olha para ele. Eu poderia olhar para aquele
anel sempre. Agora vamos: já estou cansada disso.
— Ainda não. Ainda não olhamos os anéis
para homens. Venha me mostrar qual deles escolheria para mim, se fôssemos ficar
noivos... e não escolha nada no estilo daquele pingente horrível.
(S/N) sentiu que os seus joelhos ficavam
fracos. Será que aquele homem era totalmente insensível? Não percebia como
estava sendo cruel? Fechando os olhos, ela ficou imóvel e tentou entender as emoções
que a deixavam cada vez mais confusa.
— Não... não, mesmo. Eu... tenho que
voltar ao trabalho. Tenho que editar aquele filme e...
— Eu sou o chefe. Isso significa que
decido quando você deve voltar ao trabalho. E estou dizendo que tem tempo de
olhar os anéis comigo. — Seu tom deixava bem claro que não admitia discussões.
— Mas os homens não usam anéis de noivado
— disse, zangada — A maioria nem usa aliança de casamento.
— Não estamos falando sobre a maioria.
Estamos falando sob mim. E eu gostaria de usar um.
— Eu não quero escolher nada. Não saberia
por onde começar não há nada que me atraia.
— Então, faça de conta. Mas quero que
faça uma escolha honesta; não apenas algo que seja produto da sua zanga.
— Realmente, não entendo o que você está
tentando provar.
Harry ficou imperturbável. Depois,
levou-a para diante da vitrine e esperou em silêncio. Finalmente, ela desistiu.
— Muito bem, já que insiste nessa
bobagem, aquele ali.
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