sexta-feira, 21 de março de 2014

Cap. 27 HS


 
Ele sorriu e levantou uma sobrancelha, fazendo um ar intrigado.
— Não é o fim do mundo. Mas talvez eu devesse fazer isso mais vezes. Você, realmente, tem muito mais vivacidade quando está zangada. Agora, vamos esquecer o caso. Quero dar uma olhada nesta exposição, sem estar sendo filmado, e quero que me dê sua opinião honesta sobre as peças.
Ela saiu com ele, fazendo alguns comentários sobre as jóias. Quando chegaram à seção de anéis de noivado, desejou não ter que ver aquilo tudo com ele.
— Acredita que os diamantes sejam os melhores amigos de uma mulher? — ele perguntou, rindo.
— Acho que sim... para a maioria das mulheres.
— Mas não para você? — estava curioso, e (S/N) sabia que era melhor responder do modo mais sincero possível.
— Gosto muito, mas só como um investimento. Francamente, acho que há pedras mais bonitas.
— Por exemplo?
— Opalas, para anéis de noivados. Elas podem ser comuns aqui na Austrália, mas ainda acho que são as pedras mais bonitas do mundo.
— Concordo, mas também são frágeis. Não servem para anéis de noivado por causa da fragilidade. Na verdade, fazer um anel com uma opala é uma temeridade. Não se deve nunca colocar uma opala na água, por exemplo; muito menos, em água com sabão, ou em algum produto que contenha óleo.
Harry continuou contando a ela como as opalas absorvem a oleosidade do corpo, e por isso só deviam ser usadas como broches ou pingentes.
— Não servem para anéis de noivado. Portanto, o que você escolhe?
— Acho que não preciso me preocupar com esse assunto — ela respondeu, em tom frio, esperando que ele não percebesse como estava magoada.
— Nunca se sabe... — ele brincou. — Só por curiosidade, o que escolheria se fosse ficar noiva?
— Teria que pensar no assunto, e não quero me preocupar com isso. — Tentou afastar-se, mas ele a segurou pelo braço.
— Não fuja do assunto, (S/N). Estou pedindo sua opinião sincera. Tem medo de que eu compre um anel e queira tirar a licença de casamento?
— Não estou com medo de nada — disse, desesperada. — Só acho que isso é uma brincadeira boba.
— Então, vamos chamar novamente a sra. Smythe e dizer a ela que vamos ficar noivos. Tenho certeza de que vai adorar nos ajudar a escolher um anel. — A voz dele estava calma, mas seu olhar era frio, e ela sabia que só queria humilhá-la mais.
— Você é terrível! — murmurou. — Está bem! — Apontou para um anel pequeno, em ouro amarelo, todo trabalhado e incrustado com uma linda esmeralda. Era um anel diferente, e havia chamado sua atenção, desde o momento em que o vira. — Aquele é o que eu escolheria. Acho que é o mais bonito de toda a exposição.
Harry olhou para o anel e depois para ela.
— Sim, parece que tem mais bom gosto do que mostrou na entrevista. — Sorriu, irônico. — Mas não acha que uma esmeralda é uma pedra difícil de ser usada o tempo todo?
— Não. E o anel não é grande. O trabalho no ouro é o que chama mais a atenção. Mais do que a pedra. Além disso, a pessoa que usa o anel de noivado é quem mais olha para ele. Eu poderia olhar para aquele anel sempre. Agora vamos: já estou cansada disso.
— Ainda não. Ainda não olhamos os anéis para homens. Venha me mostrar qual deles escolheria para mim, se fôssemos ficar noivos... e não escolha nada no estilo daquele pingente horrível.
(S/N) sentiu que os seus joelhos ficavam fracos. Será que aquele homem era totalmente insensível? Não percebia como estava sendo cruel? Fechando os olhos, ela ficou imóvel e tentou entender as emoções que a deixavam cada vez mais confusa.
— Não... não, mesmo. Eu... tenho que voltar ao trabalho. Tenho que editar aquele filme e...
— Eu sou o chefe. Isso significa que decido quando você deve voltar ao trabalho. E estou dizendo que tem tempo de olhar os anéis comigo. — Seu tom deixava bem claro que não admitia discussões.
— Mas os homens não usam anéis de noivado — disse, zangada — A maioria nem usa aliança de casamento.
— Não estamos falando sobre a maioria. Estamos falando sob mim. E eu gostaria de usar um.
— Eu não quero escolher nada. Não saberia por onde começar não há nada que me atraia.
— Então, faça de conta. Mas quero que faça uma escolha honesta; não apenas algo que seja produto da sua zanga.
— Realmente, não entendo o que você está tentando provar.
Harry ficou imperturbável. Depois, levou-a para diante da vitrine e esperou em silêncio. Finalmente, ela desistiu.

— Muito bem, já que insiste nessa bobagem, aquele ali.

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