segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cap. 10 HS




Aquilo não era uma pergunta, mas Flora McArdle concordou; (S/N) respirou fundo e continuou:
Mas, apesar de ter manifestado em todos os seus livros a necessidade de igualdade de tratamento, hoje a senhora se recusou a ser entrevistada por homens. Como justifica essa atitude?
Os homens não entendem o meu livro... — A resposta era multo superficial, e (S/N) a interrompeu.
Como pode saber, se está se recusando a falar com eles? Isso também não é uma espécie de chauvinismo?
— Claro que não! Meu livro é para as mulheres. São as mulheres que estão sendo oprimidas, elas é que precisam de ajuda para se libertarem de uma sociedade dominada pelos homens. Homens...
— Os homens, que supõe incapazes de compreender o seu livro, não deveriam estar ajudando? Como pode desejar igualdade, sem que haja a igualdade de entendimento?
— Oh, os homens entendem tudo muito bem. É por isso que...
Ora, mas, há um minuto, a senhora disse que eles não entendiam o seu livro. Não é uma contradição?
Houve uma longa pausa, e (S/N) sentiu que a outra a olhava como vontade de matá-la. Então, Flora McArdle sorriu e continuou.
Bem, claro que você entende, querida. Quero dizer que a igualdade é muito importante, como também o entendimento. Mas a sociedade está muito dominada pelos homens e...
Me desculpe, mas não estou entendendo. Detesto interromper, mas tenho de esclarecer isto. Está dizendo que os homens são ou não são iguais às mulheres? Eles entendem o seu livro ou não entendem? E, se não entendem, por que a senhora se opõe tanto a ajudá-los a entendê-lo? Pelo que compreendi, sra. McArdle, seu conceito de
igualdade é fazer com que os homens fiquem separados, como um inimigo que deve ser mantido a distância. Será que não gosta deles?
Aquilo foi uma bomba! Flora McArdle levantou-se, sacudindo o microfone.
— Isso é ridículo! Não admito ser tratada desse modo! E você... você... é óbvio de que lado está!
(S/N) jamais entendeu como conseguiu, mas, sem se perturbar, disse:
— Obrigada, sra. McArdle. Foi uma entrevista muito esclarecedora — enquanto a feminista saía, furiosa, junto com as duas acompanhantes.
— Fantáaaaaaastico! — Zayn gritou, jogando os fones no chão. — Ma-ra-vi-lho-so!
O mais importante era que Harry estava se aproximando e sorrindo.
— Saiu-se muito bem. Muito bem mesmo!
(S/N) voltou para o estúdio feliz da vida. Não sabia se era pelo sucesso da entrevista ou pelos elogios.
Não pensou na repercussão da reportagem até à tarde, no café, quando ouviu outras moças discutindo o livro de McArdle e as experiências que tinham tido com o chauvinismo. Voltou à sala do noticiário bem menos entusiasmada, imaginando se fizera bem em tratar a autora daquele jeito.

Harry não ajudou nada.
— Qual é o problema? Está se sentindo uma traidora? O comentário acertou em cheio, e (S/N) concordou.
— Não seja absurda! — ele disse. — Tudo o que você fez foi mostrar o quanto aquela mulher é tola.
— Para você, é fácil dizer isso. Não está sendo a vítima do problema.
— Vítima. Não acha que é uma palavra um pouco forte para uma repórter sem medo. Você está sendo vítima do problema, (S/N)?
— Bem...
— Bem, o quê? Pode dizer, honestamente, que não está sendo tratada como os outros jornalistas daqui? Vai dizer que leva vantagem ou desvantagem por ser mulher?
— Não... não posso dizer isso. Mas...
— Mas o quê? — Os olhos dele brilharam, desafiadores. — Aquela mulher odeia os homens, pura e simplesmente. E essa é a mensagem do livro dela, não importa se tenta se esconder atrás de toda essa conversa de igualdade e direitos femininos. Se realmente
quisesse igualdade, não teria feito a cretinice de dar entrevista só para jornalistas mulheres. Parece que ela nunca teve um homem... e é fácil ver o porquê!
— Vê... entende? — (S/N) agora estava furiosa. — Estamos falando de chauvinismo, e você condena a pobre mulher só porque ela não é atraente. Um machão típico! Se ela se parecesse com a tal... Cher Lloyd, você ia ficar ouvindo suas idéias de boca aberta,
babando, por mais idiotas que fossem.
Ele olhou-a com um ar de desprezo.
— Eu sempre ouço Cher Lloyd, mas raramente babo. Cher é bastante inteligente para saber que não precisa sacrificar a feminilidade dela para ter um lugar no mundo dos homens. Sugiro, querida, que você não comece a criticar as pessoas que não conhece. Ela é uma das jornalistas mais importantes do país e conseguiu isso apenas por seu talento. O que a torna uma advogada dos direitos femininos muito melhor do que a tal Flora McArdle... ou você.
— Eu não estava criticando-a. Só a usei como exemplo. E aposto que, se ela estivesse defendendo os direitos femininos, você seria o primeiro a mandá-la sair correndo para procurar um homem.
— Pelo menos, ela saberia o que fazer, quando o encontrasse. E você?
— Se um dia eu encontrar algum homem que valha a pena, garanto que saberei o que fazer. Infelizmente, os que encontrei por aqui só pensam que as mulheres precisam ser mantidas sempre grávidas e ignorantes. Não, muito obrigada.
— Não se defenda, já que não foi ofendida — ele riu. — Foi só uma pergunta, e não uma proposta.
— Ainda bem. Porque você é o "último" homem na minha lista de possíveis maridos.
Harry riu e se aproximou, segurando-lhe os ombros.
— Pelo menos, estou na lista — murmurou, divertido. — Com mais um pouco de treinamento, quem sabe o que vai acontecer?

Antes que (S/N) pudesse responder, ele a beijou. Foi só um instante; depois largou-a.

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