segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cap. 11 HS



(S/N) quis xingar e agredir. Mas não conseguiu se mexer nem pensar em nada para dizer. Outra emoção, mais forte do que raiva, tomou conta dela. Quando pôde falar, parecia calma.
— Acho, sr. Styles, que esta é a sua idéia de igualdade: beijar as pessoas, apesar de saber que não é desejado.
Seu sarcasmo não o perturbou.
— Se acha que aquilo foi uma discussão sobre igualdade, querida, ainda tem muito a aprender. Pode me beijar à força, do mesmo jeito, se é isso o que deseja.
— Prefiro morrer, Harry Styles!
A resposta dele foi um amplo sorriso; foi para a sua mesa, enquanto Louis e Zayn entravam na sala. (S/N) voltou ao trabalho e se manteve ocupada até as cinco horas. Deu um até-logo geral e saiu.
Ao sair do estúdio, Zayn brincou com ela, perguntando se ia para casa, ver a sua estréia no noticiário sozinha.
— E o que há de especial nisso? Não vou mesmo aparecer.
Mas o olhar dele a incomodou de tal modo, que (S/N) deu uma passada na sala de edição, para ter certeza de que tudo estava em ordem.
A editora pareceu um pouco insegura ao lhe dizer que o filme ainda não estava pronto, e que não ia dar tempo de mostrá-lo.
(S/N) não se atreveu a voltar e enfrentar Harry. Mas encontrou Zayn e foi para a cantina com ele.
— Tem certeza de que me cortou, quando filmou a entrevista?
Ele deu de ombros e respondeu:
— Ouviu as ordens do chefe, não ouviu?
(S/N) não ficou convencida, mas não conseguiu nenhuma resposta direta de ninguém. Por isso estava tensa, ao ligar a tevê em casa, para ver o noticiário.
Seu coração bateu mais depressa quando o locutor apresentou a entrevista de Flora McArdle e "nossa repórter (S/N) Clarke". Ela se viu sentada no banco, de pernas cruzadas, ao lado da líder feminista. (S/N) parecia hipnotizada e mal acompanhou a entrevista. Segundos depois, viu a autora se retirando indignada e, com igual agitação, desligou o aparelho.
Estava trêmula. Não sabia se de raiva ou de vergonha. Sentou-se e serviu-se de um drinque, procurando analisar seus sentimentos. Achava que tinha sido traída, mais por Harry do que pelos outros que, obviamente, só obedeceram às ordens dele. Mas estava preocupada com a sua própria reação, ao se ver no vídeo e saber que milhares de pessoas em toda a capital da Austrália também a tinham visto. Aquilo a deixava aterrorizada... e excitada.
Suspirou, percebendo que, no fundo, estava adorando a experiência. Com o copo na mão, foi até o banheiro e se olhou no espelho. Era como se fosse uma estranha, como se estivesse se vendo pela primeira vez. Sentia a excitação que a fama pode criar e tinha um tino instintivo. Mas, ao mesmo tempo, não podia negar que a fama a atraía.
Era melhor voltar à realidade, disse a si mesma; senão, podia cair na armadilha da vaidade. Entretanto, sabia que, com Harry por perto, ninguém conseguia brilhar.

De repente sentiu-se cansada, resolveu não jantar, indo direto para a cama, apesar de serem só oito horas. Mas, assim que se deitou, a campanhia tocou. Vestiu um robe e foi atender.
— Já estava dormindo? Não pensei que ser uma estrela de televisão fosse ser tão cansativo — Harry riu, e (S/N) corou, tentando fechar o robe que mal lhe cobria os seios.
Deu um passo para trás, ele entrou, e só então viu que lhe estendia uma garrafa de vinho.
— Obrigada. Por favor, entre — disse, virando-se para abotoar a frente.
— Já entrei — ele falou calmamente, indicando a corrente de segurança da porta. — Você devia ter usado isso. Principalmente, se tem o costume de abrir a porta quase nua.
(S/N) procurou se controlar e ignorar a brincadeira.
— Eu não estava esperando ninguém. Há algum motivo especial para você vir aqui, com esse vinho, a essa hora?
Ele riu, sentando-se no sofá.
— A essa hora? São só oito horas. Eu vim ver se você está disposta a me perdoar pelo pequeno engano de hoje.
— Pequeno engano? Você mentiu para mim!
Ele deu de ombros.
— Por que não veste alguma coisa civilizada? Esse é o robe mais feio que já vi.
— Então pare de olhar. Se costuma aparecer na casa dos outros sem avisar, tem que aceitar o que encontra.
— Está bem. Mas preciso dizer, queridinha, que gostei muito mais de você na televisão — disse isso com uma cara tão engraçada, que (S/N) não pôde deixar de rir.
— Como você trouxe o vinho, vou deixar que abra a garrafa, enquanto troco de roupa.
Quando voltou, momentos depois, usava jeans e uma camiseta. Ele tinha servido dois cálices de vinho.
— A que vamos brindar? — perguntou, levantando o cálice e estendendo o outro para (S/N). — À nova estrela da televisão de Camberra... ou à libertação feminina?
— Acho que à libertação feminina. Não me sinto uma estrela de tevê.
— Está sendo muito modesta. Ou já teve o seu ataque de narcisismo, olhando em todos os espelhos da casa e se lembrando da entrevista uma porção de vezes?
(S/N) corou e ele riu.
— Não fique envergonhada. Eu ficaria mais preocupado se você não-tivesse reagido assim. Além do mais, não estava ruim, para dizer a verdade.
— Oh, estava, sim. Principalmente com aquela saia toda amassada.
— E quem iria reparar na sua saia, podendo ver as suas pernas?
— Todas as mulheres. E foi culpa sua. Devia ter me avisado, ao invés de ficar mentindo.

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