(S/N) quis xingar e agredir. Mas não
conseguiu se mexer nem pensar em nada para dizer. Outra emoção, mais forte do
que raiva, tomou conta dela. Quando pôde falar, parecia calma.
— Acho, sr. Styles, que esta é a sua idéia
de igualdade: beijar as pessoas, apesar de saber que não é desejado.
Seu sarcasmo não o perturbou.
— Se acha que aquilo foi uma discussão
sobre igualdade, querida, ainda tem muito a aprender. Pode me beijar à força,
do mesmo jeito, se é isso o que deseja.
— Prefiro morrer, Harry Styles!
A resposta dele foi um amplo sorriso; foi
para a sua mesa, enquanto Louis e Zayn entravam na sala. (S/N) voltou ao
trabalho e se manteve ocupada até as cinco horas. Deu um até-logo geral e saiu.
Ao sair do estúdio, Zayn brincou com ela,
perguntando se ia para casa, ver a sua estréia no noticiário sozinha.
— E o que há de especial nisso? Não vou
mesmo aparecer.
Mas o olhar dele a incomodou de tal modo,
que (S/N) deu uma passada na sala de edição, para ter certeza de que tudo
estava em ordem.
A editora pareceu um pouco insegura ao
lhe dizer que o filme ainda não estava pronto, e que não ia dar tempo de
mostrá-lo.
(S/N) não se atreveu a voltar e enfrentar
Harry. Mas encontrou Zayn e foi para a cantina com ele.
— Tem certeza de que me cortou, quando
filmou a entrevista?
Ele deu de ombros e respondeu:
— Ouviu as ordens do chefe, não ouviu?
(S/N) não ficou convencida, mas não
conseguiu nenhuma resposta direta de ninguém. Por isso estava tensa, ao ligar a
tevê em casa, para ver o noticiário.
Seu coração bateu mais depressa quando o
locutor apresentou a entrevista de Flora McArdle e "nossa repórter (S/N)
Clarke". Ela se viu sentada no banco, de pernas cruzadas, ao lado da líder
feminista. (S/N) parecia hipnotizada e mal acompanhou a entrevista. Segundos depois,
viu a autora se retirando indignada e, com igual agitação, desligou o aparelho.
Estava trêmula. Não sabia se de raiva ou
de vergonha. Sentou-se e serviu-se de um drinque, procurando analisar seus
sentimentos. Achava que tinha sido traída, mais por Harry do que pelos outros
que, obviamente, só obedeceram às ordens dele. Mas estava preocupada com a sua
própria reação, ao se ver no vídeo e saber que milhares de pessoas em toda a
capital da Austrália também a tinham visto. Aquilo a deixava aterrorizada... e
excitada.
Suspirou, percebendo que, no fundo,
estava adorando a experiência. Com o copo na mão, foi até o banheiro e se olhou
no espelho. Era como se fosse uma estranha, como se estivesse se vendo pela
primeira vez. Sentia a excitação que a fama pode criar e tinha um tino instintivo.
Mas, ao mesmo tempo, não podia negar que a fama a atraía.
Era melhor voltar à realidade, disse a si
mesma; senão, podia cair na armadilha da vaidade. Entretanto, sabia que, com Harry
por perto, ninguém conseguia brilhar.
De repente sentiu-se cansada, resolveu
não jantar, indo direto para a cama, apesar de serem só oito horas. Mas, assim
que se deitou, a campanhia tocou. Vestiu um robe e foi atender.
— Já estava dormindo? Não pensei que ser
uma estrela de televisão fosse ser tão cansativo — Harry riu, e (S/N) corou,
tentando fechar o robe que mal lhe cobria os seios.
Deu um passo para trás, ele entrou, e só
então viu que lhe estendia uma garrafa de vinho.
— Obrigada. Por favor, entre — disse,
virando-se para abotoar a frente.
— Já entrei — ele falou calmamente,
indicando a corrente de segurança da porta. — Você devia ter usado isso.
Principalmente, se tem o costume de abrir a porta quase nua.
(S/N) procurou se controlar e ignorar a
brincadeira.
— Eu não estava esperando ninguém. Há
algum motivo especial para você vir aqui, com esse vinho, a essa hora?
Ele riu, sentando-se no sofá.
— A essa hora? São só oito horas. Eu vim
ver se você está disposta a me perdoar pelo pequeno engano de hoje.
— Pequeno engano? Você mentiu para mim!
Ele deu de ombros.
— Por que não veste alguma coisa
civilizada? Esse é o robe mais feio que já vi.
— Então pare de olhar. Se costuma
aparecer na casa dos outros sem avisar, tem que aceitar o que encontra.
— Está bem. Mas preciso dizer,
queridinha, que gostei muito mais de você na televisão — disse isso com uma
cara tão engraçada, que (S/N) não pôde deixar de rir.
— Como você trouxe o vinho, vou deixar
que abra a garrafa, enquanto troco de roupa.
Quando voltou, momentos depois, usava jeans
e uma camiseta. Ele tinha servido dois cálices de vinho.
— A que vamos brindar? — perguntou,
levantando o cálice e estendendo o outro para (S/N). — À nova estrela da
televisão de Camberra... ou à libertação feminina?
— Acho que à libertação feminina. Não me
sinto uma estrela de tevê.
— Está sendo muito modesta. Ou já teve o
seu ataque de narcisismo, olhando em todos os espelhos da casa e se lembrando
da entrevista uma porção de vezes?
(S/N) corou e ele riu.
— Não fique envergonhada. Eu ficaria mais
preocupado se você não-tivesse reagido assim. Além do mais, não estava ruim,
para dizer a verdade.
— Oh, estava, sim. Principalmente com
aquela saia toda amassada.
— E quem iria reparar na sua saia,
podendo ver as suas pernas?
— Todas as mulheres. E foi culpa sua.
Devia ter me avisado, ao invés de ficar mentindo.

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