terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cap. 5 HS


Em vez disso, Harry continuou a encará-la e deu uma piscadela bem cafajeste. Depois, pegou uma pasta cheia de papéis e saiu para a reunião com aquele seu jeito felino.
Louis levou (S/N) para ver as notícias indo ao ar.
Ela ficou fascinada. O estúdio parecia um caos, mas tudo funcionava perfeitamente. Louis tentou explicar tudo o que acontecia, mas era complicado demais para entender logo da primeira vez.
— Se tiver alguma pergunta, eu respondo durante o jantar — disse Harry, entrando no estúdio.
O convite inesperado deixou-a muda. Principalmente, por não saber se devia ou não aceitar.
Harry era um homem bonito, mas isso não bastava. Por que achava que ela não tinha nada melhor a fazer do que jantar com ele? Ele era rude, autoritário e a tratava como lixo; como se ela tivesse culpa de lhe terem dado uma secretária, ao invés de um jornalista.
Quando voltaram para a sala do noticiário, (S/N) recusou o convite. Harry Styles pareceu surpreso.
— Por quê? — perguntou, e ela não soube como responder. Mais tarde, viu que podia ter dito apenas: por que não gosto de você. Mas, na hora, não estava preparada para dar desculpas.
— O que mais você tem a fazer? Não está aqui há tempo suficiente para ter um namorado. Acho que precisaria de pelo menos uma semana para isso, srta. Clarke. Portanto, por que não confessa que não tem nenhuma desculpa? A não ser o fato de que sou grosso, mal-educado, pouco atraente e muito velho para você.
Ela arregalou os olhos diante disso, e ele começou a rir.
— Eu não falei nada disso — protestou, nervosa.
— Então, não acha que sou velho demais para você? Ou que não sou atraente?
— Você é mal-educado. Por que não aceita o meu "não" como resposta.
— Porque este aqui é o meu departamento de notícias, srta. Clarke. E no "meu" departamento, eu dou as ordens. É bom lembrar-se disso, se quer mesmo se tornar uma jornalista. Agora, corra para casa, troque de roupa e retoque a maquiagem, que vou buscá-la às oito. E não fique triste. Mesmo os feitores de escravos comem. E jantar é algo que gosto de fazer em boa companhia.
— Nesse caso, por que você... — ela parou um segundo, pensando melhor. — Por que não leva a moça do café?
Viu que os olhos dele se tornaram estranhamente frios. Ficou parado, sério, sem responder a seu desabafo infantil. As risadas de Louis e Zayn não ajudaram em nada, e ela achou que estava perdendo o controle, quando ele disse baixinho:
— Ora, (S/N), podia ter pensado em algo melhor.
— Mas eu... eu... você nem sabe o meu endereço. Teremos que nos encontrar em algum lugar.
— Certo. No Paco's, às oito horas. — Harry saiu da sala, antes que ela pudesse responder.

(S/N) encostou-se na porta fechada, furiosa. Mas agora não podia fazer nada. Voltou para casa dirigindo em alta velocidade. Pensava em Harry Styles e nas coisas que devia ter dito a ele.
Entrou no chuveiro, apressada demais, e acabou molhando a cabeça. Furiosa, mal teve tempo de secar os cabelos e escolher algo apropriado para usar. Resolveu-se por um vestido verde que tinha comprado a caminho da Austrália. Olhando-se no espelho, achou que não estava nada mal.
A ida até o restaurante foi um desastre. (S/N) pegou o caminho errado e acabou se perdendo. Passava bastante das oito, quando chegou ao Paco's, que ficava no alto de uma colina, com vista para toda a cidade. Estacionou e entrou correndo.
maitre aproximou-se, perguntando sobre a sua reserva.
— Não... não tenho — respondeu, confusa. — Vim me encontrar com o sr. Syles, Harry Styles.
— Ah, o sr. Styles! — O homem deixou transparecer que ele era um cliente habitual.
Momentos depois, (S/N) era levada até uma mesa perto da janela, com uma vista lindíssima.
Harry recebeu-a com um olhar de aprovação.
— Desculpe o atraso — ela disse imediatamente.
— Eu já esperava — respondeu, irônico. — O que quer beber? (S/N) hesitou, e ele fez o pedido:
— Um daiquiri bem doce para a moça, por favor. Eu vou tomar um scotch com soda.
maitre afastou-se, e (S/N) virou-se para Harry, furiosa.
— O que quis dizer com "já esperava"?
— Não é parte do seu jogo? Manter o pobre homem impaciente?  Despertar o interesse dele?
— Isso é ridículo. Estou atrasada porque me perdi, se quer mesmo saber.
Ele riu com ar de pouco caso, e a fúria da moça aumentou.
— Não acredita, não é? Acontece que é verdade, e juro...
— Não precisa jurar. Não estou tão interessado assim. – Parou quando o maitre trouxe os drinques e o cardápio.
— Vamos pedir mais tarde — disse, e voltou sua atenção para (S/N). — Conte-me, querida srta. Clarke, como conseguiu se perder. Não entendeu o mapa?
— Simplesmente, aconteceu. Não costumo me atrasar. Sempre achei que a pontualidade é uma virtude.    
— Ah! — ele riu. — Então, é uma mulher virtuosa, srta. Clarke?
— Claro que sou!
— Ótimo. Sempre admirei mulheres virtuosas. No entanto, acho que é a primeira que conheço com menos de setenta anos. Quer outro daiquiri?
— Eu... Oh, meu Deus! — Ela olhou para o cálice vazio. Tinha tomado tudo sem perceber, e o olhar brincalhão de Harry só aumentou sua confusão.
—.Eu devia ter pedido dois de uma vez — ele sorriu, chamando o garçom. Depois, mudando rapidamente, sorriu de um modo simpático e aprovador, sem tirar os olhos do decote dela. — Esse vestido lhe fica muito bem. Combina com os seus olhos. Vamos pedir o jantar agora? Já escolheu?

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