— Você terá muito que fazer, sem precisar bancar a empregada — Harry disse, ameaçador. —Acho mais fácil ensinar Louis a carregar uma bandeja.
— Tudo seria mais fácil, se você não fosse tão irônico — (S/N) comentou, afastando-se para sua mesa.
— Se não está conseguindo aguentar... — Harry começou, sorrindo.
— E não tente me proteger! Ter direitos iguais significa que alguém terá que trazer o café.
— Não estamos falando sobre os seus direitos, srta. Clarke. Vamos falar de direitos depois de vermos como se sai no trabalho, em igualdade de "oportunidades". E por falar em proteção, há uma coisa que você não deve esquecer: o chefe nem sempre tem razão, mas é sempre o chefe. E, neste departamento, isso é lei.
Louis repetiu a frase, quando levou (S/N) para a sala de projeção.
— Eu pensaria melhor, se: fosse você — ele disse. — Não vai aprender nada, se continuar brigando com ele o tempo todo.
— Tem razão. Mas ele é muito autoritário. Parece soltar faíscas toda vez que olha para mim, e tenho certeza de que faz isso de propósito.
— É um dos privilégios do chefe. Aprender a controlar seu temperamento é muito importante, neste trabalho. Há muita gente aí que vai usar isso contra você, se puder.
Nos dias seguintes, (S/N) tentou se controlar e achou que fora surpreendentemente fácil. Pelo menos no que dizia respeito a Harry. Por acaso ou de propósito, ele pareceu menos irônico e sarcástico e tratou-a exatamente como aos demais membros da equipe.
Mas havia pequenos problemas, mas Harry nunca a repreendia com severidade. Sempre deixava Louis dar explicações e ensinar o modo correto de fazer as coisas. Na verdade, ele mal falava com ela.
(S/N) não sabia se era esse o tratamento que desejava. Mas com a companhia de Louis, começou a aprender rapidamente. Entretanto, como o chefe parecia não aceitá-la, isso agora não significava muito.
— Mas realmente não me quer aqui — disse a Louis, um dia em que se sentia deprimida. — Ele me trata como a um nada, como se eu não existisse.
O bundudo deu de ombros.
— Acho que está errada. Ele nunca deu uma bronca em você.
— Nem eu gostaria que desse. Qualquer coisa seria melhor do que ser tratada como um móvel. Pelo menos eu teria a satisfação de brigar. Mas ele nem sabe que eu existo. Poderia sapatear nua em cima da mesa dele, que Harry Styles não iria levantar os olhos.
— Não tenha tanta certeza assim, garota — Louis riu. — Eu não ficaria surpreso, se soubesse que metade dos problemas são devidos ao seu lindo corpo. Você é a moça mais bonita que já trabalhou nesta equipe, e ele sabe disso.
— Sou a primeira moça que trabalha aqui. A não ser que também contem Perrie, a moça do café. Agora, eu não me surpreenderia se ela sapateasse. Aquela é capaz de tudo.
— Será que estou percebendo um certo ciúme? É melhor se olhar no espelho, (S/N). É óbvio que ele já percebeu que não gosta de ser ignorada. E, com esse desprezo, ele está mantendo você interessada.
— Não! — disse (S/N), morta de raiva.
Sabia que o que Louis tinha dito era verdade. Quando ele riu, ela corou ainda
mais. Como viu o rapaz cair na gargalhada, percebeu que ele só estava
brincando.
Ainda riam, quando Harry entrou na sala.
Ele parecia de mau humor. Fez um comentário qualquer sobre o trabalho que tinha
a fazer e mandou Louis rodar os filmes da tarde. Depois, ignorando a moça, voltou
ao próprio trabalho.
Louis voltou uma hora depois, com os
olhos vermelhos e pálido de raiva.
— Aquela cadela! Aquela cadela depravada!
— ele xingou. — Feminista... Ela é uma bruxa, isso sim!
— Está falando da tal McArdle? — Harry
levantou os olhos do papel que lia. — O que ela fez? Recusou-se a sorrir para o
câmera?
— Sorrir?
A velha não quis nem falar comigo. Vai haver uma entrevista coletiva, dentro de
meia hora, mas só para jornalistas mulheres. E depois, todas terão cinco
minutos para entrevistas individuais. Ela disse que podemos assistir à
coletiva, se quisermos, mas só as mulheres poderão fazer perguntas. Ainda não
consigo acreditar. E o pior é que é verdade.
Harry ficou pensativo.
— Será
que ela vai querer uma mulher por trás da câmera também?
— Não.
Mas eu não me surpreenderia, se quisesse. Parece até que mim ruinha. Acho que a
gente devia ignorar à bruxa velha, e não promover o livro dela.
— Sim,
mas as coisas não funcionam assim. Você sabe que a ABC o Times estarão
lá. Se não aparecermos, vão pensar que não ficamos satisfeitos da história.
Louis virou uma fera.
— Acho
que sim — ele grunhiu. — Vi Cher Lloyd entrando, quando eu saí. O que vamos
fazer?
— Mandaremos
nossa jornalista — Harry riu, com ar diabólico, e olhou para (S/N). — O que acha, sta. Clarke? Está pronta para a
sua estréia na televisão?
— Está brincando? — (S/N) sentiu que ele
não estava, mas não acreditava que a sua carreira fosse começar naquele
momento.
— Brincando? E eu brincaria com uma coisa
dessas? Tem cinco minutos para arrumar a maquiagem, querida. Depois, encontre
comigo na nossa caminhonete, lá nos fundos.
Ele saiu, antes que ela abrisse a boca.
Dez minutos depois, estavam a caminho de Belconnen Way, com (S/N) espremida
entre Harry e o Zayn que estava como cameraman, pois o todos estavam ocupados e o que iria tomar conta da entrevista
adoeceu.

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