quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cap. 9 HS











Só então o choque começou a fazer efeito.
— Isso é ridículo! — ela protestou. — Não estou pronta para nada desse tipo, e você sabe disso.
— Vai se sair bem.
— Não vou. Não tenho a menor idéia do que preciso fazer. Vou acabar bancando a boba. É isso o que você quer?
Continuou a protestar, mas ele a ignorou.
— Vai fazer tudo direitinho, garota. Lembre-se que estou contando com você.                                                                                         
Contando com ela... (S/N) sentiu que se encolhia só de pensar naquilo. Sabia que aquela podia ser sua primeira e última chance. Estava apavorada.                                                                            
— Siga com atenção a entrevista coletiva — ele disse. — Não faça perguntas, se não quiser, mas escute o que as outras perguntam e tente fazer um resumo, enquanto filmamos a entrevista.
— Mas claro que não espera que eu apareça diante das câmeras com aquela mulher. Eu... eu...
— Você vai se sair bem. Agora, pare de se preocupar com isso. Apenas concentre-se em achar um bom ângulo para a sua história. Não vou poder ajudar; portanto, quando chegar a hora, tudo vai depender do que tiver entendido. Confie no Zayn, aqui: ele sabe o que fazer.
— Mas... mas claro que não vou aparecer no filme — (S/N) de repente sentiu-se aterrorizada. Começou a tremer tanto, que os dois homens perceberam.
— Não, claro que não — Harry garantiu, com o que ele esperava que fosse um sorriso honesto. — Vamos filmar de modo que só a tal McArdle apareça. Não é Zayn? — O tom era de ordem.
(S/N) virou-se e viu que Zayn concordava, mas não percebeu que Harry tinha piscado para o outro.
A entrevista foi na Universidade Nacional da Austrália e, na opinião de (S/N), foi um fracasso total. Vermelha, com medo e totalmente confusa, ficou sentada lá durante meia hora, enquanto as outras jornalistas faziam perguntas altamente complicadas sobre o livro de I lota McArdle: Igualdade... comparada com o quê?
Harry tinha ido sentar lá atrás e (S/N) não conseguia nem vê-lo, para o caso de um apoio moral. Pensou em mil perguntas, mas não teve coragem de fazer nenhuma. O mesmo não acontecia com Cher Lloyd, da Revista Financeira.
Se a presença de Harry tinha desagradado a Flora, Cher, pelo contrário, lhe deu um imenso sorriso ao passar e ir sentar com as jornalistas.
— Está com sorte, hoje, querido — ela disse. — Só vai ter que ficar parado e deixar que o mulherio paquere você.
Vou adorar isso — ele sorriu e apresentou as duas moças. Cher olhou-a rapidamente e a ignorou, como se (S/N) não apresentasse nenhum perigo.
Cher era uma bela mulher: elegante, com um lindo cabelo penteado na última moda, e se vestia muito bem. Era o oposto da feminista, Flora McArdle, que parecia um estivador. (S/N) não gostou de nenhuma das duas.
Durante a entrevista, em que Cher desempenhou o papel como interrogadora, (S/N) sentiu-se como um ratinho minúsculo. Não conseguia esquecer a intimidade que parecia haver entre Harry e Cher. Aquilo a fez ficar zangada. E quanto mais tensa ficava, menos atenção prestava ao que estava acontecendo, ficou surpresa, quando a entrevista terminou, sem que ela tivesse feito uma única pergunta. Foi para o fim da fila, para a entrevista final, e encontrou o ar de desaprovação de Harry.

Durante a meia hora em que esperaram por Flora McArdle, ele praticamente a ignorou. Mas ela notou que ele estava aborrecido com a entrevista e, talvez, arrependido do impulso de mandá-la para lá. O pior era que (S/N) não estava tendo nenhuma idéia brilhante para salvar a pele. Tinha lido o livro de McArdle, mas apenas superficialmente, pois o achava muito radical. Agora, gostaria de ter lido o livro com
mais cuidado. Lembrou-se, envergonhada, que Cher Lloyd parecia conhecer a obra profundamente.
Pensou, pensou... e não conseguiu chegar a nenhuma conclusão. Então, Flora McArdle e suas duas companheiras se aproximaram, e ela viu que era tarde demais para pensar.
Harry foi para o outro lado do jardim, longe de Zayn, que pediu a (S/N) para sentar-se com Flora num banco de concreto. Ele ficou impassível, de braços cruzados, e, quando (S/N) o olhou, com ar de quem pede ajuda, ele a ignorou inteiramente.
— Diga alguma coisa — era a voz de Zayn chegando pelo microfone. (S/N) segurou o aparelho e lutou para controlar o tremor: das mãos. Dizer alguma coisa? O quê? Não conseguia nem pensar, quanto mais falar. Zayn repetiu o pedido, e, como se sua voz viesse de; outro lugar, ela se ouviu dizendo:
— A raposinha marrom pulou na frente do cachorro preguiçoso.
Que ridículo, pensou. Já tinha visto jornalistas fazendo entrevistas uma porção de vezes, e nenhum deles parecia aterrorizado. Olhou novamente para Harry mas ele virou-se imediatamente para o outro lado, e ela teve que se concentrar em Flora McArdle, que estava dando trabalho a Zayn.
— Diga alguma coisa — ele pediu à sra. McArdle, para poder regular o nível da voz dela na aparelhagem.
— Alguma coisa — ela repetiu, indiferente.
(S/N) percebeu que ela sabia muito bem que Zayn não iria conseguir regular o som só com aquelas palavras.
— Mais alguma coisa — ele tornou a pedir, sem demonstrar irritação.
— Mais alguma coisa — ela repetiu.
Os dedos de (S/N) tremeram no microfone. Será que aquela idiota estava tentando agredir Zayn, só porque ele era homem? Ou será que ia tratá-la do mesmo jeito! Olhou para Harry, que agora estava conversando com Cher Lloyd.
— Diga: o cameraman está ficando nervoso e, se eu não parar de bancar a boba, não vou aparecer na televisão. — Flora McArdle ficou tensa, diante da frase de Zayn, e (S/N) esperou a explosão. Mas não aconteceu nada. Ao invés disso, a mulher pareceu desistir do jogo.
Este será o nível de voz que vou usar durante toda a entrevista a feminista falou, calmamente. — Acha que é suficiente?
Poder! De repente, (S/N) teve um estalo. Sentiu que Flora McArdle precisava do poder muito mais do que havia imaginado. Como por encanto, suas mãos pararam de tremer.   Quando Zayn murmurou "Pronto", ela não hesitou.

Sra. McArdle, seu livro trata dos direitos de igualdade que todas as mulheres devem ter. E aponta o chauvinismo como o maior inimigo, junto com os preconceitos masculinos.

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